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O "Oscar" de Bollywood volta a Mumbai

17/09/2019 10h56

Mumbai, 17 Set 2019 (AFP) - Mumbai apresenta nesta semana a cerimônia do "Oscar" de Bollywood, o que acontece pela primeira vez na Índia em 20 anos, com estrelas e executivos da indústria do cinema hindi, que celebra mais um ano extraordinário, incluindo grandes mercados como o chinês.

Com quase 1.800 títulos lançados em 2018, o país asiático é o maior produtor de filmes no mundo em volume de longas-metragens.

A indústria cresceu 12,2% em 2018, incluindo não apenas filmes em hindi, mas também produções em línguas regionais, como tâmil ou telugo, de acordo com um relatório divulgado em março pela Ernst & Young e a Federação de Câmaras de Comércio e Indústria indianas.

A premiação da Academia Internacional de Cinema da Índia (IIFA), que a cada ano acontece em uma cidade do mundo diferente, acontecerá na quarta-feira em Mumbai, pela primeira vez na Índia em 20 anos.

A grande diáspora indiana na América do Norte, Reino Unido e na região do Golfo tem sido tradicionalmente seu maior mercado internacional.

As estreias dos grandes sucessos de Bollywood na América do Norte e no Reino Unido habitualmente são espetaculares, com muitos fãs aguardando por horas para observar astros como Shah Rukh Khan.

Mas as produções indianas também triunfaram em outros mercados, sobretudo na China.

A comédia de humor negro "Assassinato às Cegas" ("Andhadhun"), por exemplo, indicada na categoria de melhor filme do IIFA, fez muito sucesso na China, onde arrecadou quase 50 milhões de dólares.

Aamir Khan, estrela de dois grandes êxitos de bilheteria indianos na China, tem muitos fãs no país, onde é conhecido como "Nan Shen" ("Deus Homem").

O produtor Akshaye Rathi explicou à AFP que a indústria está experimentando um "grande crescimento" em vários países europeus, assim como no Canadá, Nova Zelândia e Singapura, devido especialmente à diáspora indiana.

"Agora é apenas uma questão de tempo antes de nos concentrarmos na população geral destes países", afirmou.

Tudo isto sem esquecer, claro, os 1,3 bilhão de habitantes da Índia.

De acordo com a Ernst & Young, a receitas da indústria cinematográfica aumentaria de 174,5 bilhões de rupias (2,4 bilhões de dólares) em 2018 para 236,1 bilhões de rúpias em 2021.

As outras produções indicadas a melhor filme no IIFA - o thriller de espiões "Raazi", o épico "Padmaavat" e a tragicomédia sobre a maternidade "Badhaai Ho" - mostram que Bollywood deixou para trás o clichê de que em todos os filmes os personagens apenas cantam e dançam.

A indústria do cinema também se beneficiou do financiamento institucional e dos novos talentos, que contribuíram para diversificar a produção e ajudaram a alcançar uma audiência mais ampla, especialmente mais jovem.

Apesar do temor inicial, o sucesso do Netflix e de plataformas locais, como o Hotstar, teve efeitos positivos na indústria, com novos meios para a estreia de filmes e a injeção de dinheiro em outras produções.

Além disso, ao contrário do que acontece com as estreias convencionais, estes filmes não passam pelo organismo de censura indiano.

Amazon Prime e Netflix estão entre os maiores compradores de direitos digitais no país.

As gigantes do "streaming" também começaram a investir em grandes produções indianas.

A Netflix contratou os astros de Bollywood Nawazuddin Siddiqui e Saif Ali Khan para a série "Jogos Sagrados".

Na semana passada, a empresa americana anunciou um acordo com Karan Johar, um dos maiores produtores de Bollywood, para que crie filmes e séries exclusivamente para a plataforma.

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