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Rapper A$AP Rocky alega legítima defesa em julgamento na Suécia

15.abr.2016 - O rapper A$AP Rocky se apresenta no primeiro dia do Coachella Festival 2016, em Indio, Califórnia - Getty Images
15.abr.2016 - O rapper A$AP Rocky se apresenta no primeiro dia do Coachella Festival 2016, em Indio, Califórnia Imagem: Getty Images

Em Estocolmo

30/07/2019 06h55

O astro do rap A$AP Rocky, razão de uma série de atritos diplomáticos entre a Suécia e os Estados Unidos, alegou legítima defesa hoje, na abertura do seu julgamento por envolvimento em uma briga em Estocolmo em junho.

O artista apareceu algemado, vestindo uma camisa verde e calça esportiva, e com uma expressão firme, em uma sala de audiência lotada, na presença de sua mãe, Renee Black.

A$AP Rocky, de 30 anos, cujo nome verdadeiro é Rakim Mayers, foi colocado em prisão preventiva em 3 de julho ao final de um show com outras três pessoas devido a uma briga em 30 de junho nas ruas da capital sueca.

Em 5 de julho, um tribunal ordenou sua prisão alegando "risco de fuga" para o exterior.

Em um vídeo publicado pelo site de celebridades TMZ, o artista, que estava em Estocolmo para um show de sua turnê europeia, é visto jogando um jovem no chão e batendo nele.

Em outros vídeos postados na conta do rapper no Instagram, A$AP Rocky pede várias vezes a dois jovens que parem de segui-lo.

A$AP Rocky atuou em "legítima defesa", disse seu advogado Slobodan Jovicic na abertura da audiência. O rapper, porém, "admite ter jogado a vítima no chão, pisado em seu braço e socado ou empurrado o ombro", acrescentou.

A acusação considera que o ato foi voluntário e que "os fatos são constitutivos de um crime apesar dos argumentos da defesa".

O julgamento começou às 09h30 (04h30 de Brasília) no tribunal de Estocolmo e durará até sexta-feira. Dois membros de sua equipe também são julgados.

Se for considerado culpado, A$AP Rocky enfrentará até dois anos de prisão e multa.

Em fotos da vítima tiradas por investigadores em 30 de junho e divulgadas na semana passada pela imprensa sueca, feridas profundas são vistas em várias partes do corpo.

Um dos dois queixosos - há apenas um no processo criminal - também atingiu um membro da equipe do artista e uma investigação paralela foi aberta, mas a promotoria abandonou o processo judicial, afirmando que ele havia apenas respondido à agressão da qual foi vítima.

Vários congressistas americanos pediram à Suécia que liberte o artista e um ex-embaixador dos Estados Unidos em Estocolmo, Mark Brzezinski, informou em meados de julho que contatou o ministério das Relações Exteriores da Suécia e a Casa Real para denunciar uma "injustiça racial".

Mas o advogado do rapper de Nova York rejeitou essa acusação, afirmando em coletiva de imprensa que a Suécia "não é uma sociedade racista".

Desde que foi preso, amigos e fãs do artista pedem sua libertação. Mais de 630.000 pessoas assinaram uma petição online e uma campanha foi lançada nas redes sociais para encorajar os fãs do artista a boicotar marcas suecas como a Ikea.

A situação de A$AP Rocky chegou à Casa Branca, onde Donald Trump disse que estava disposto a se apresentar "pessoalmente" como garantia.

Mas ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, a Suécia não possui um sistema de libertação sob fiança e sua justiça permite que um réu permaneça em detenção provisória até o seu julgamento.

"Muito decepcionado com o primeiro-ministro Stefan Lofven por ser incapaz de agir. A Suécia decepcionou a Comunidade Afro-Americana", tuitou Trump, que acrescentou: "Deem a A$AP Rocky sua liberdade".

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