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Morre aos 96 anos o cineasta italiano Franco Zeffirelli, de Romeu e Julieta

O diretor de cinema Franco Zeffirelli - Getty Images
O diretor de cinema Franco Zeffirelli Imagem: Getty Images

Em Roma

15/06/2019 09h33

O cineasta italiano Franco Zeffirelli, conhecido por filmes como Romeu e Julieta (1968), morreu hoje, aos 96 anos, em sua casa em Roma, anunciou a imprensa local, cintando fontes da família.

O artista faleceu em decorrência "de uma longa doença que se agravou nos últimos meses", informou a imprensa.

"Nunca quis que esse dia chegasse. Franco partiu nesta manhã. Um dos maiores homens do mundo da cultura. Nós partilhamos da dor de seus amados. Adeus, grande mestre, Florença nunca te esquecerá", disse o prefeito de Florença, Dario Nardella.

A fundação que leva seu nome postou apenas um "tchau", com sua data de nascimento e morte:

FRANCO ZEFFIRELLI, 12 febbraio 1923 - 15 giugno 2019

Uma publicação compartilhada por Fondazione Zeffirelli Onlus (@fondazionefrancozeffirelli) em

A carreira do diretor

Em uma carreira que se estendeu por cerca de 70 anos, ele foi celebrado pelo público por seus filmes, peças de teatro e óperas.

Nascido como filho ilegítimo de uma designer de moda e de um comerciante de tecidos, ele viveu a morte da mãe aos seis anos e foi criado por uma tia. Na juventude, afirma que foi abusado por um padre. O garoto acabou sendo introduzido a Shakespeare, o que mudaria sua trajetória e inspiraria obras.

Zeffirelli estudou arte e arquitetura em Florença e integrou um grupo de teatro. Depois da guerra foi assistente de grandes diretores como Antonioni, De Sica, Rossellini e Visconti, com quem trabalhou em filmes como A Terra Treme (1948) e "Belíssima" (1951).

Zefirelli se iniciou no mundo do cinema justamente pelas mãos de Luchino Visconti, como assistente de direção em três de seus melhores filmes "A Terra Treme" (1948), "Belíssima" (1951) e "Sedução da Carne" (1954), onde confessa que nasceu sua paixão pela sétima arte.

"Luchino revelou-me o campo da criação, no palco e na tela. E ele me mostrou como conceber um projeto e dar-lhe uma estrutura para o ambiente cultural correspondente", revelou.

A partir dos anos 1950 encenou espetáculos como L'Italiana in Algeri de Rossini, e dirigiu estrelas como Maria Callas. Após La Bohème, de Puccini, Zeffirelli voltou a se dedicar ao cinema e fez A Megera Domada (1967) com Richard Burton e Elizabeth Taylor.

No ano seguinte fez Romeu e Julieta (1968) e foi indicado ao Oscar como melhor diretor e melhor filme e se destacou ao fato de usar dois adolescentes reais (Olívia Hussey e Leonard Whiting) para mostrar os amantes de Shakespeare. O longa venceu as estatuetas de melhor fotografia e melhor figurino.

Veja o trailer de Romeu e Julieta (em inglês)

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Seus trabalhos seguintes foram Irmão Sol, Irmã Lua (1972), Jesus de Nazaré (1977) e O Campeão (1979), com John Voight. Na década de 1980, Zeffirelli voltou-se às óperas La Traviata (1982), pela qual foi indicado ao Oscar de melhor direção de arte e melhor figurino, e Otello (1986), ambas de Verdi e protagonizadas por Plácido Domingo.

Nos anos 1990, novamente se interessou por Shakespeare e fez sua versão de Hamlet (1990) com Mel Gibson e Glenn Close. O diretor se manteve na ativa já passados seus 90 anos, mas já vinha sofrendo com a saúde debilitada nos últimos tempos.

Polêmicas

Suas convicções religiosas o levaram a lançar uma campanha contra "A Última Tentação de Cristo", de Martin Scorsese, apresentada em Veneza ao mesmo tempo que seu "Toscanini" em 1988, antes de voltar atrás.

Ele também se destacou ao se opor a projetos de reconhecimento dos casais homossexuais e ser um dos poucos artistas italianos a apoiar Silvio Berlusconi quando o bilionário entrou para a política no início dos anos 1990. Foi senador na lista do magnata dos meios de comunicação de 1994 a 2001.

Perto de completar 100 anos, o diretor italiano reconheceu em março de 2019, em entrevista ao Corriere della Sera, o peso dos anos. "A velhice é um fardo enorme, mas ainda estou procurando ideias a realizar (...) e isso me mantém ocupado".

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