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Festival de Cannes


Rock, Hollywood e cinema autoral: como será a 72ª edição do Festival de Cannes

O cineasta mexicano Alejandro Iñárritu, presidente do júri do Festival de Cannes - Eric Gaillard/Reuters
O cineasta mexicano Alejandro Iñárritu, presidente do júri do Festival de Cannes Imagem: Eric Gaillard/Reuters

De Cannes (França)

13/05/2019 17h54

O Festival de Cannes finaliza hoje os preparativos para o início de uma das edições mais ambiciosas dos últimos anos, com forte presença de Hollywood, mais glamour, astros do rock e, certamente, o peso do cinema autoral.

Na véspera da abertura, o Festival saiu em defesa da Palma de Ouro de honra que será atribuída a Alain Delon, uma lenda viva do cinema francês. O Women and Hollywood, um dos grupos por trás do movimento #MeToo, protestou esta semana contra suas declarações "racistas, homofóbicas e misóginas".

Além de diretores consagrados como Quentin Tarantino e Terrence Malick, atores famosos como Brad Pitt e Leonardo DiCaprio, o festival receberá astros de outras áreas --como o cantor Elton John e o ex-jogador Maradona. No último minuto foi anunciada a presença do ator espanhol Javier Bardem, que abrirá o festival ao lado da atriz e cantora Charlotte Gainsbourg.

A Palma de Ouro de Cannes, prêmio de maior prestígio do festival francês - Regis Duvignau/Reuters
A Palma de Ouro de Cannes, prêmio de maior prestígio do festival francês
Imagem: Regis Duvignau/Reuters

O cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu, presidente do júri, chegou hoje em Cannes para o jantar tradicional com o resto dos membros do painel no histórico Hotel Martinez, que preparou um cardápio em homenagem a seus filmes, com pratos batizados por exemplo como "Birdman", "O Regresso" e "Babel".

O júri anunciará no dia 25 de maio o vencedor da Palma de Ouro, que terá em sua disputa seis diretores qua já venceram o prêmio máximo de Cannes: Tarantino, Malick, o britânico Ken Loach, os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne e o francês Abdellatif Kechiche.

Almodóvar, nova oportunidade

Pedro Almodóvar, o eterno aspirante, participa no festival pela sexta vez, este ano com "Dolor y gloria", seu filme mais introspectivo e que foi selecionado por Cannes apesar de ter estrado na Espanha em março. O longa-metragem é protagonizado por Antonio Banderas e conta ainda com Penélope Cruz.

Outros 20 filmes estão na mostra oficial e um dos mais aguardados é, "Era Uma Vez em Hollywood", dirigido por Tarantino e que reúne pela primeira vez na mesma produção DiCaprio e Pitt.

Cena de "The Dead Don't Die", com Danny Glover, Bill Murray e Adam Driver - Divulgação
Cena de "The Dead Don't Die", com Danny Glover, Bill Murray e Adam Driver
Imagem: Divulgação

Além disso, Cannes selecionou um nome forte para o filme de abertura: o diretor americano Jim Jarmusch exibirá "The Dead Don't Die", longa-metragem com um elenco de peso que inclui Bill Murray, Tilda Swinton e Adam Driver, além de nomes do mundo da música, como Selena Gómez, Iggy Pop e Tom Waits.

Malick apresentará seu filme ambientado na Segunda Guerra Mundial "A Hidden Life", os Dardenne competirão com "Le Jeunne Ahmed", Loach com "Sorry We Missed You" e o canadense Xavier Dolan com o drama "Matthias & Maxime".

Brasil volta à mostra oficial

O Brasil também volta à disputa pela Palma de Ouro com o filme "Bacurau", dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, protagonizado por Sônia Braga, longa-metragem de aventura e ficção científica gravado no no sertão do Seridó, na divisa entre Rio Grande do Norte e Paraíba.

Teaser de "Bacurau"

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O diretor geral do Festival, Thierry Frémaux, defendeu o fato de haver apenas quatro mulheres na competição, como a austríaca Jessica Hausner, após o concurso ter sido realizado no ano passado em favor da paridade. "Seria desrespeitoso (...) selecionar um filme simplesmente porque foi dirigido por uma mulher."

Ele também saiu em defesa de Delon: o ator "tem o direito de pensar o que pensa", disse Frémaux, estimando que "é difícil julgar com a perspectiva de hoje coisas feitas ou ditas" no passado.

Melissa Silverstein, fundadora do grupo Women and Hollywood, ficou "muito decepcionada", segundo declarações dadas à revista Variety, porque Cannes homenageia aqueles que reconhecem ter esbofeteado mulheres e descrito a homossexualidade como algo "antinatural".

O ator Taron Egerton em cena de "Rocketman" - Reprodução/YouTube
O ator Taron Egerton em cena de "Rocketman"
Imagem: Reprodução/YouTube

À margem da competição, o Festival de Cannes dará espaço para astros do rock: Elton John apresentará "Rocketman", filme sobre sua vida, enquanto Bono comparecerá ao festival para apoiar "5B", sobre o primeiro hospital que tratou pacientes com aids nos Estados Unidos.

Outro "outsider"em Cannes será o ex-jogador Diego Maradona, aguardado em Cannes para a estreia do documentário sobre os anos em que jogou no Napoli, nos anos 1980, dirigido pelo britânico Asif Kapadia.

O diretor mexicano Alfonso Cuarón ("Roma") deve apresentar no festival uma versão restaurada de "O Iluminado", de Stanley Kubrick.