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"O Corcunda de Notre-Dame", a obra-prima de Victor Hugo que já salvou a catedral

Cena de "O Corcunda de Notre Dame" (1996), da Disney - Reprodução
Cena de "O Corcunda de Notre Dame" (1996), da Disney Imagem: Reprodução

De Paris (França)

15/04/2019 20h38

A catedral de Paris, arrasada hoje por um grande incêndio, também é conhecida no mundo inteiro graças à obra do escritor Victor Hugo "O corcunda de Notre-Dame", romance adaptado um grande número de vezes para o cinema, em especial pelos estúdios Disney, ou transformado em comédia musical.

Foi para salvar o monumento, fortemente degradado, que o escritor começou a escrever esta obra, em 1831.

No capítulo intitulado "Nossa Senhora", Victor Hugo escreveu: "Ainda hoje a igreja de Nossa Senhora de Paris continua sendo um sublime e majestoso monumento".

Mas, acrescentou, "por mais majestoso que se tenha conservado com o tempo, não se pode deixar de se indignar ante as degradações e mutilações de todo tipo que os homens e a passagem dos anos infligiram a este venerável monumento".

Catedral de Notre-Dame, em Paris, antes do incêndio  - GuidoR/Creative Commons
Catedral de Notre-Dame, em Paris, antes do incêndio
Imagem: GuidoR/Creative Commons

No prólogo de seu livro, Victor Hugo se queixava de como eram tratadas "há 200 anos estas maravilhosas igrejas medievais". "As mutilações vêm de todos os lados, tanto de dentro como de fora", lamentava.

A publicação da obra chamou a atenção geral sobre o estado "inadmissível" do monumento.

O movimento de opinião levou à decisão de estabelecer um concurso no qual participaram vários arquitetos, incluindo Lassus e Viollet-le-Duc, cujo projeto de reabilitação do monumento foi aceito em 1844.

Em julho de 1845, foi aprovada uma lei para restaurar a catedral. O objetivo de Victor Hugo finalmente foi alcançado.

Victor Hugo salvou Notre-Dame. Desde o surgimento de sua obra, o mundo inteiro imagina que a catedral está habitada pelos fantasmas de Esmeralda, do corcunda Quasimodo e de Frollo.

Na nota redigida pelo romancista com motivo da publicação da edição definitiva de sua obra (1832), recordava que seu livro era um grito contra "a decadência atual da arquitetura e sobre a morte".

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