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Ode à tolerância e esplendor na primeira noite de desfiles na Sapucaí

04/03/2019 10h26

Rio de Janeiro, 4 Mar 2019 (AFP) - Bandeiras pedindo "igualdade", um navio pirata com uma cachoeira e um beija-flor gigante "voando" no topo de um carro alegórico: os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro foram marcados, neste domingo (3), por uma alta dose de exuberância e crítica social.

A chuva atrasou em quase uma hora o início dos sete desfiles da primeira noite da Sapucaí, com suas mensagens para uma cidade que há três anos elegeu como prefeito o ex-bispo evangélico Marcello Crivella e a um país governado pelo presidente Jair Bolsonaro.

A atual campeã, a azul e branca Beija-Flor de Nilópolis, levou para a avenida a história de seus 70 carnavais, com um show de fantasias e carros mecanizados de vários metros de altura, um deles coroado por um beija-flor 'voando' entre nuvens móveis.

A Beija-Flor venceu em 2018 com um desfile que criticava a corrupção.

Já o Salgueiro consagrou seu enredo a Xangô - patrono da Justiça - e encerrou seu desfile com bandeiras com mensagens contra a corrupção, a favor do feminismo, da igualdade, da liberdade e da diversidade sexual.

A Unidos do Viradouro, este ano dirigida por Paulo Barros, apresentou um enredo sobre a recuperação do universo e o sorriso da infância para "transformar" as tristes paixões do mundo.

Nos carros alegóricos, retirados de histórias lidas à noite por uma avó, podia-se ver um navio fantasma com uma cachoeira banhando criaturas do fundo do mar, sapos transformados em príncipes ou, em uma versão mais moderna, um motociclista descendo um rampa.

"Quem me viu chorar, vai me ver sorrir/Você pode acreditar, o amor está aqui/ Vira Viradouro iluminou/ O brilho no olhar voltou", dizia o samba cantado pelos mais de 2.500 passistas e milhares que os acompanhavam das arquibancadas.

Cada escola tem até 75 minutos para desfilar pela Sapucaí e deslumbrar um júri que pontua sua percussão, fantasias, samba enredo, entre outros.

Esta noite, mais sete escolas vão desfilar até o amanhecer.

Será a vez da Portela, que vai buscar o seu 23º título homenageando a cantora Clara Nunes, ícone musical dos anos 70 e primeira artista a defender publicamente as religiões afro-brasileiras.

A tradicional escola terá uma ala especial desenhada pelo estilista francês Jean-Paul Gaultier.

Já a Mangueira, que conquistou seu 19º título em 2016, vai entrar na avenida contando o "lado B" da história brasileira, exaltando heróis e heroínas negros, índios e pobres, relegados a um segundo plano na narrativa tradicional.

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