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Berlinale revela seu vencedor, com filmes chinês e israelense como favoritos

Juliette Binoche é a presidente do júri do Festival de Berlim - Getty Images
Juliette Binoche é a presidente do júri do Festival de Berlim Imagem: Getty Images

16/02/2019 09h27

A Berlinale revela neste sábado (16) o seu filme vencedor com duas produções favoritas: uma crônica chinesa sobre a antiga política de filho único e um drama israelense, que fala sobre um expatriado em Paris. Enquanto isso, o único filme ibero-americano, "Elisa y Marcela" (Espanha), não convenceu a crítica.

O júri liderado pela atriz francesa Juliette Binoche, e do qual também é membro o cineasta chileno Sebastián Lelio, escolherá qual longa-metragem levantará o Urso de Ouro, o primeiro grande prêmio do ano dos festivais europeus.

Um filme ficou de fora da disputa alguns dias antes de sua estreia mundial, "One second", do consagrado cineasta chinês Zhang Yimou. A Berlinale informou que a retirada do filme, ambientado durante a Revolução Cultural - um período-chave para as autoridades chinesas - se deu por motivos "técnicos".

Enquanto isso, a também produção chinesa "So long, my son", de Wang Xiaoshuai, comoveu o público levando-o às lágrimas com um drama alegórico sobre duas famílias cujos destinos se cruzam durante 30 anos de mudanças radicais em seu país.

"A história pode ser lida como uma crítica mordaz à política de filho único no país, recentemente abandonada. Há também cenas poderosas que ilustram os efeitos dolorosos da mudança desenfreada ao capitalismo na década de 1980 e início de 1990", escreveu o South China Morning Post.

"Mas isso não distrai Wang de seu objetivo, que é mostrar como as pessoas comuns lidam com a dor e os dilemas morais".

- Sete diretoras na disputa -"So long, my son" é favorito junto com "Synonyms", de Nadav Lapid. O filme, em grande parte autobiográfico e sexualmente explícito, conta a história de um israelense que se muda para Paris para escapar da situação política em seu país.

A crítica aplaudiu especialmente a atuação de seu protagonista, Tom Mercier, que estreou nesta produção e, segundo o Hollywood Reporter, lembra um "jovem Tom Hardy, incluindo a habilidade de atuar sem roupa".

Na disputa mais feminina das 69 edições da Berlinale, com filmes de sete mulheres cineastas, destacou: "Deus existe, o nome dela é Petrunya", da diretora da Macedônia do Norte Teona Strugar, muito aplaudida pelo público.

O filme é baseado na história real de uma mulher que se une a um ritual religioso reservado aos homens: uma imersão em um rio para retirar uma cruz de madeira.

Ao contrário, o filme "Elisa y Marcela", da espanhola Isabel Coixet, referência na Berlinale, onde a cineasta já foi nove vezes, decepcionou grande parte da crítica.

O filme em preto e branco, o primeiro produzido pela Netflix em competição na Berlinale, resgata o primeiro casamento homossexual na Espanha, ocorrido em 1901 entre duas professoras. "Esta história fascinante de um casal de lésbicas espanholas que enganou um padre para se casarem tem um tratamento chato e inadequado", criticou a Variety.

"Ao quere enviar uma mensagem" sobre os direitos dos homossexuais, "Coixet faz um filme privado de nuances emocionais que fizeram com que 'Brokeback Mountain' e 'Carol', para citar duas produções influentes sobre os homossexuais, fossem tão comoventes e que prendem", segundo o Hollywood Reporter.

- Chilena "Lemebel", premiada com Teddy Award -A seção paralela Panorama também anunciará o prêmio que a cada ano o público entrega ao melhor filme e para o qual concorrem uma dezena de filmes latino-americanos, incluindo "Divino Amor", do brasileiro Gabriel Mascaro, e "Temblores", do guatemalteco Jayro Bustamante.

Na mesma seção, por sua vez, destaca-se "Lemebel", da chilena Joanna Reposi, premiada com o Teddy Award de melhor documentário sobre LGTBQ+, anunciado em paralelo à Berlinale.

Reposi, amiga pessoal do falecido artista chileno Pedro Lemebel, reconstituiu sua vida com base em arquivos, depoimentos e uma longa entrevista nos últimos anos de sua vida. Renomado escritor e artista plástico, Lemebel foi uma referência na luta pelos direitos dos homossexuais em seu país.