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Alemanha em plena crise após publicação de dados de políticos na rede

04/01/2019 19h05

Berlim, 4 Jan 2019 (AFP) - O mundo político alemão se viu abalado pela divulgação na internet dos dados pessoais de centenas de políticos, entre eles a chanceler Angela Merkel, resultado de um importante ciberataque ou vazamento.

Nenhum "dado sensível" da chancelaria foi publicado, tranquilizou Martina Fietz, porta-voz do governo.

"Os dados e documentos de centenas de políticos e figuras públicas foram publicados na internet", informou.

"Segundo uma primeira análise, foram afetados representantes do mundo político, incluindo membros do Parlamento europeu, do Bundestag (Câmara de Deputados alemã), dos parlamentos regionais e dos governos municipais", acrescentou.

Segundo a porta-voz, o governo está levando o assunto "muito a sério".

"Ao menos mil pessoas foram afetadas", declarou o responsável do organismo alemão encarregado da segurança informática, Arn Schönbohm.

Ainda não foram identificados os responsáveis.

O vazamento de dados foi orquestrado de uma conta do Twitter numa data próxima ao Natal, mas o governo não o anunciou até esta sexta-feira. O Twitter bloqueou a conta.

Em um dos documentos publicados na internet, aparecem dois e-mails da chanceler, assim como um número de fax e o título de algumas cartas endereçadas a ela.

Mas as autoridades alemãs indicaram que "dados falsos" também poderiam ter sido publicados.

A rede central informática do governo não foi atacada.

A polícia criminal (BKA) e os serviços de inteligência estão encarregados da investigação.

"Os focos do ataque podem ser diversos", explicou à AFP um porta-voz do BSI, organismo de defesa cibernética da Alemanha.

- 'Ataque grave' -A ministra alemã da Justiça, Katarina Barley, denunciou "um ataque sério" por parte daqueles que "querem sabotar a confiança na democracia e nas suas instituições".

O líder do grupo parlamentar da esquerda radical alemã, Dietmar Bartsch, também disse estar "profundamente chocado" com este "ataque sério à democracia em nosso país".

Além de políticos, jornalistas, apresentadores de televisão e celebridades têm sido alvo desses ataques, segundo diversos meios de comunicação, incluindo o canal público RBB que fala sobre pirataria.

De acordo com o ministério do Interior, todos os principais partidos políticos alemães - dos democratas-cristãos aos verdes e o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) - foram as vítimas do ataque.

Os dados divulgados são principalmente listas de contatos com centenas de números e endereços, bem como documentos internos do partido, como listas de membros. No entanto, alguns desses documentos têm vários anos, até 2009, segundo o jornal Bild.

Conversas de bate-papo, documentos de identidade, cartas e dados bancários também foram divulgados.

No final de novembro, o Der Spiegel já havia revelado um ataque racker a vários e-mails de deputados.

O exército alemão lançou em 2017 o seu "exército cibernético" que, juntamente com as forças terrestres, aéreas e navais, protege a Bundeswehr de ataques cibernéticos. Ele não foi vítima do ataque desta sexta-feira.

Nos últimos anos, o Bundestag e vários partidos políticos foram alvos de ataques cibernéticos que, segundo Berlim, são realizados por serviços de inteligência estrangeiros.

Entre os suspeitos estão hackers russos. A Alemanha está preocupada com possíveis tentativas - especialmente por parte da Rússia - de influenciar o clima político nacional por meio de ataques cibernéticos ou ações de desinformação.

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