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Cineasta italiano Bernardo Bertolucci morre aos 77 anos

26/11/2018 17h30

Roma, 26 Nov 2018 (AFP) - O diretor italiano Bernardo Bertolucci faleceu nesta segunda-feira em Roma aos 77 anos, após uma carreira repleta de obras-primas como o erótico "Último Tango em Paris" e o drama épico "1900".

Bertolucci, considerado um mestre do cinema italiano e mundial, saiu consagrado da cerimônia do Oscar em 1988, quando "O Último Imperador", sobre o último imperador da China, recebeu nove estatuetas, incluindo melhor filme, diretor e roteiro adaptado.

"Bertolucci nos deixou hoje às 7H00", informou sua assessoria de imprensa, sem revelar as causas da morte. A imprensa italiana informou que ele tinha câncer.

O cineasta tinha problemas de saúde há anos e estava em uma cadeira de rodas desde o início dos anos 2000, após uma cirurgia na coluna.

Uma capela ardente será instalada na terça-feira na sede da prefeitura de Roma para o adeus ao mestre, enquanto o mundo do cinema italiano chora a morte do genial diretor.

"Meu último imperador foi embora", comentou entre lágrimas Stefania Sandrelli. "Sua morte é também um pouco a nossa", disse Marco Bellocchio.

"Sinto uma dor imensa. (...) Foi-se um pedaço da nossa família, um amigo fraterno, amoroso, inteligente, genial, imprevisível, rigoroso e implacável ao nos dizer sempre a verdade. Seu cinema faz parte das maravilhas do século XX", escreveu Roberto Benigni em uma nota assinada também por sua esposa, a atriz Nicoletta Braschi.

O presidente da República italiana, Sergio Mattarella, se referiu a "um grande mestre [que] entrou na história do cinema", e dirigiu suas condolências a "todos os que aprenderam de sua sensibilidade artística e intelectual".

Diretor do drama histórico "1900", um clássico sobre as lutas do século XX, Bertolucci gerou polêmica e escândalo com "Último Tango em Paris", filmado em 1972 na capital francesa.

O filme foi proibido na Itália por sua polêmica cena de sexo entre a lenda do cinema Marlon Brando, em um de seus últimos grandes papéis, e Maria Schneider.

Schneider, que tinha 19 anos, ficou profundamente abalada pela cena que simulava sodomia, já que não havia sido plenamente informada antes das filmagens.

- Do escândalo ao Oscar -Bertolucci foi um dos poucos cineastas italianos a dirigir filmes no exterior com frequência.

Ele dirigiu "Os Sonhadores" (2003) em Paris, "O Último Imperador" na China, o "O Céu que nos Protege" na África e o "O Pequeno Buda" no Butão.

Nascido 16 de março de 1941 em Parma, cidade rica do nordeste da Itália, Bertolucci percorreu em "1900" (1976) a história da luta de classe no rico vale do Po através do destino de dois amigos de infância no início do século XX.

O filme tem um grande elenco internacional (Robert De Niro, Gérard Depardieu, Burt Lancaster, Dominique Sanda).

Outro exemplo de cinema político é o longa-metragem "O Conformista", sobre a esquerda no período do fascismo italiano.

O cineasta cresceu em um ambiente rico e intelectual e iniciou sua paixão pelo cinema com o filme "La Dolce Vita" de Federico Fellini.

Seu pai, poeta, professor de História e crítico de cinema, o presenteou com sua primeira câmera 16mm aos 15 anos.

A consagração por parte da indústria veio com "O Último Imperador", rodado em 1987, vencedor de nove Oscar, incluindo melhor filme e melhor diretor.

Além de cineasta, também foi um dos roteiristas do famoso filme "Era uma Vez no Oeste", do diretor italiano Sergio Leone".

- "Último imperador do cinema" -"Era o último imperador do cinema, o senhor de todas as epopeias e escapadas. Acabou a festa: duas pessoas são necessárias para dançar o tango", declarou nesta segunda-feira à AFP Gilles Jacob, ex-presidente do Festival de Cannes, que concedeu uma Palma de Ouro honorária em 2011 ao italiano pelo conjunto de sua obra.

"Vamos recordar dele como um dos grandes do cinema italiano e mundial", afirmou o presidente da Mostra da Veneza, Paolo Baratta, ao recordar que Bertolucci presidiu por duas vezes o júri do festival, em 1983 e 2013.

A Mostra também prestou uma homenagem em 2007 com um Leão de Ouro pelo conjunto de sua obra.

Em uma entrevista à AFP em 2013, ele afirmou de maneira modesta que provavelmente passaria à história como um diretor que "descobria jovens atrizes", depois de escalar em seus filmes intérpretes como Dominique Sanda, Maria Schneider, Liv Tyler e Eva Green.
 

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