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Relato de reconstrução facial após atentado ao Charlie Hebdo ganha prêmio

Christophe ARCHAMBAULT/AFP
O jornalista e escritor francês Philippe Lancon, sobrevivente do atentado ao Charlie Hebdo Imagem: Christophe ARCHAMBAULT/AFP

Em Paris (França)

05/11/2018 11h05

O jornalista e escritor francês Philippe Lançon recebeu nesta segunda-feira o prestigioso prêmio de literatura Femina por "Le Lambeau", um comovente relato sobre como ele viveu o atentado ao semanário Charlie Hebdo e seu processo de reconstrução facial após ser ferido.

A romancista americana Alice McDermott ganhou o Femina estrangeiro por "La Novena Hora", uma categoria na qual estava indicado também o espanhol Javier Cercas por "El Monarca de las Sombras".

Embora não esteja concorrendo ao Goncourt - a recompensa literária mais reputada da França -, "Le Lambeau" (O Retalho, em tradução livre) está indicado a outros prêmios relevantes como o Renaudot e, para muitos críticos, é o melhor livro do ano.

Em 7 de janeiro de 2015, Lançon sobreviveu ao massacre realizado por jihadistas que invadiram a sede da revista semanal satírica Charlie Hebdo em Paris gritando "Alá Akbar". Doze pessoas morreram, e Lançon teve a metade inferior do rosto destruída por uma bala.

Lançon conta o atentado ao longo de cerca de 60 páginas. "Girei minha língua em minha boca e senti pedaços de dentes que estavam espalhados", diz. "Depois soube que a sala de redação era uma poça de sangue mas (...), embora estivesse banhado nela, quase não a via". O escritor relata depois seu lento e doloroso trabalho de reconstrução facial.

O livro termina em 13 de novembro, dia dos atentados jihadistas contra a sala de shows Bataclan e outros lugares públicos em Paris. Lançon estava em Nova York.

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