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Caso Khashoggi ofusca fórum econômico internacional em Riad

24/10/2018 20h00

Riade, 24 Out 2018 (AFP) - O fórum de investimento internacional que começou na terça-feira em Riad deveria ser uma vitrine da pujança econômica do país, mas o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi o ofuscou totalmente.

Desde que começou este evento de três dias, chamado Future Investment Initiative (FII), anunciaram-se projetos de bilhões de dólares, serviram-se fartos banquetes e na terça-feira os participantes se aproximaram do príncipe-herdeiro, Mohammed bin Salman, que foi ovacionado.

A verdade é que o encontro com objetivo de transformar o país petroleiro em destino de negócios foi totalmente ofuscado pelas consequências políticas do assassinato do jornalista opositor ao regime.

Khashoggi, muito crítico ao príncipe herdeiro, foi assassinado no consulado saudita de Istambul no dia 2 de outubro, um crime que gerou uma onda de protestos internacionais, levando muitos dos participantes previstos a cancelar sua viagem.

A edição deste ano é muito distinta da do ano passado, quando o príncipe Mohamed, patrocinador do evento, seduziu centenas de investidores internacionais com projetos como a megalópole tecnológica de 500 bilhões de dólares que o país quer construir no Mar Vermelho.

Na época, a mídia e os dirigentes de muitos países consideravam o príncipe como um reformista neste país ultraconservador, sobretudo depois de permitir que as mulheres dirigissem.

Este ano, entretanto, as elites políticas e econômicas cancelaram suas visitas ao fórum econômico. Foi o caso do milionário britânico Richard Branson; do presidente do SoftBank, Masayoshi Son; do presidente da Siemens, Joe Kaeser; e da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

Nesta quarta-feira os políticos ausentes dos Estados Unidos e da Europa foram substituídos por personalidades regionais como o rei da Jordânia, o primeiro-ministro designado do Líbano e os dirigentes de Senegal e Gabão.

Apesar dos holofotes estarem longe dali, os organizadores expuseram nesta quarta-feira (24) o carro elétrico Lucid e entregaram para cada delegado um grosso volume chamado "Um plano para o século XXI".

Na véspera, durante um jantar de gala, Chico Bouchikhi, um dos fundadores do célebre grupo francês de flamenco-pop Gipsy Kings, apresentou, para deleite dos participantes, uma versão de "Hotel California", do grupo americano The Eagles.

- "Volta atrás" -O príncipe Mohamed, criticado por seu suposto envolvimento na morte Khashoggi, mencionou pela primeira vez o escândalo publicamente.

O assassinato foi um "incidente repulsivo", ao final "a justiça prevalecerá, garantiu, em árabe, o homem forte da Arábia Saudita.

O país será "totalmente diferente" nos próximos cinco anos, assegurou o príncipe, que se atreveu a prever que o "Oriente Médio será a nova Europa".

Muitos dos delegados na grande sala de conferências do hotel Ritz-Carlton, decorada com afrescos e lâmpadas brilhantes, olhavam para seus smartphones em busca de novidades sobre o caso Khashoggi.

O assassinato jogou o país no que analistas classificam de crise aguda de relações públicas.

Riad anunciou no sábado passado prisões e demissões, sobretudo na cúpula dos serviços de Inteligência.

A empresária saudita Lubna Olayan classificou o assassinato como um ato terrível, "estranho à nossa cultura e ao nosso DNA".

"Durante muito tempo apresentei meu país aos estrangeiros dizendo: 'venho de um país que não permite que as mulheres dirijam'", disse outra empresária. "Achei que seguiríamos em frente, mas essa crise nos levou para trás", acrescentou.

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