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Procurador reconhece novo erro no processo em caso Weinstein

O produtor americano Harvey Weinstein, acusado de assédio por dezenas de mulheres - Getty Images
O produtor americano Harvey Weinstein, acusado de assédio por dezenas de mulheres Imagem: Getty Images

De Nova York (EUA)

17/10/2018 20h52

Um novo e embaraçoso erro do procurador de Manhattan no caso Weinstein veio à tona: ele admitiu nesta quarta (17) que um inspetor da polícia de Nova York havia aconselhado a uma das mulheres acusadoras do produtor cinematográfico que apagasse de seu telefone tudo o que ela considerasse vergonhoso.

Em uma carta datada na terça-feira e enviada ao advogado de Harvey Weinstein, a procuradora-adjunta responsável pelo caso reconheceu que o inspetor havia feito esta recomendação a duas acusadoras que apresentaram cinco outras acusações contra Weinstein, correspondente a um suposto estupro em 2013 e de sexo oral forçado em 2006.

"Meu gabinete pediu à demandante que entregasse todos os smartphones que ela usou enquanto esteve em contato com os acusados", disse a procuradora-assistente Joan Illuzzi-Orbon em uma carta à imprensa.

Como a demandante se preocupava com mensagens "privadas" fossem transmitidas ao procurador nesta ocasião, o detetive que dirigia a investigação para a polícia de Nova York, Nicholas DiGaudio, aconselhou que "apagasse tudo o que não queria ver antes de entregar os telefones", disse a procuradora-adjunta.

Embora a assistente Illuzzi-Orbon garanta que a demandante entregou todo o conteúdo de seus telefones ao procurador, esta admissão enfraquece ainda mais a procuradoria, que teve que abandonar na quinta-feira passada uma das acusações contra o produtor de 66 anos.

"Este novo fato mina ainda mais a integridade de uma acusação já deficiente", disse o advogado de Harvey Weinstein, Ben Brafman, citado por seu porta-voz.

Embora Weinstein tenha sido acusado de abuso sexual por cerca de 80 mulheres, sua acusação no primeiro semestre deste ano se baseou nas denúncias de apenas três mulheres.

Desde quinta-feira, somente se mantiverem as acusações de duas mulheres. A terceira, Lucía Evans, a única cujo nome era conhecido, perdeu credibilidade depois que uma testemunha disse que aceitou praticar sexo oral em Weinstein, com a esperança de obter um papel.

O afastamento de Evans do caso se deveu em parte a um erro do inspetor DiGaudio, que não revelou ao procurador a existência deste testemunho contraditório.