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Processo seletivo do k-pop: O lado obscuro da vida dos ídolos do pop asiático

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Astro k-pop, Kim Jong-hyun morre aos 27 anos Imagem: Reprodução

Busan (Coreia do Sul)

10/10/2018 17h40

Os ídolos do pop asiático, tão populares entre os adolescentes, fazem os fãs se apaixonarem por seus sorrisos e músicas chiclete, mas um documentário apresentado no Festival de Cinema de Busan revela o outro aspecto da fama: um processo seletivo impiedoso.

O diretor tailandês Nawapol  Thamrongrattanarit não podia acreditar quando recebeu a autorização para gravar nos bastidores o BNK48, um dos grupos de pop mais famosos da Ásia.

Nas entrevistas individuais, que alterna com sequências das apresentações e cenas dos bastidores, as cantoras tailandesas descrevem uma "concorrência bastante sombria entre os membros", seus sacrifícios para ser selecionadas e os longos ensaios diários.

Também falam da hierarquia dentro do grupo, entre as "prima donne", solicitadas para comparecer a atos promocionais que se traduzem em rendimentos altos, e as relegadas ao papel de substitutas.

Uma das cenas mais impactantes do documentário "BNK48: Girls Don't  Cry" mostra uma destas jovens dançando fora do palco, imaginando que faz parte do espetáculo. "É preciso enfrentar a realidade da vida", explica Jib, de 14 anos, falando com uma maturidade incomum para a sua idade.

O documentário "BNK48: Girls Don't Cry" narra a odisseia deste grupo, que conta com milhões de fãs na Ásia e é inspirado no japonês AKB48, outro grupo de pop. Até agora os documentários sobre os ídolos pop asiáticos, com frequência desconhecidos no Ocidente, eram muito controlados pelos agentes musicais.

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Grupo de k-pop Mamamoo Imagem: Divulgação


Como uma terapia

O diretor tailandês pôde, no entanto, entrar nas vidas destas jovens e contá-las sem artifícios. "Geralmente, os ídolos pop estão treinados e só dizem coisas insignificantes nos meios de comunicação", explica o diretor, um dos mais promissores da Tailândia.

"Mas elas começaram imediatamente a falar da realidade, das dificuldades e das pressões às que se veem submetidas", acrescenta em uma entrevista à AFP durante o festival de cinema de Busan, na Coreia do Sul, o mais importante da Ásia.

"Não me impuseram nenhuma restrição", afirma Nawapol, que costuma relatar em filmes a vida dos jovens tailandeses que enfrentam os desafios da modernidade. "Me limitei a colocar os membros do grupo na frente da câmera e começamos a falar. Para elas, era como uma confissão, uma terapia", descreveu.

Uma das integrantes do grupo explica que se apresentou a uma audição só para realizar o sonho de sua mãe, outra porque uma vidente previu que um dia se tornaria uma estrela e uma terceira por medo de ter uma vida anônima.

"Não ser ninguém é horrível", declara Korn, de 19 anos.

Também mostram o peso das redes sociais, onde o que conta é o número de "likes" e que as acompanhem de perto. "Temos a impressão de estar sendo perseguidas o tempo todo", explica Pun, de 17 anos, para quem é um peso ser obrigada a acumular seguidores.

O documentário, que obteve um grande sucesso na Tailândia, foi selecionado para o 23º festival internacional de cinema de Busan. Durante os doze meses nos que o diretor seguiu suas vidas, estas cerca de 20 meninas de entre 12 e 22 anos experimentaram muitas mudanças.

Nawapol espera poder se reunir com elas "dentro de cinco anos e ver para onde a vida as levou".