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Mohammad bin Salman, entre reformas e o autoritarismo

09/10/2018 10h25

Dubai, 9 Out 2018 (AFP) - Ao realizar reformas, as autoridades sauditas intensificaram a repressão aos dissidentes desde que Mohammad bin Salman se tornou príncipe herdeiro em junho de 2017.

Várias ondas de prisões foram relatadas por organizações de direitos humanos: a primeira ocorreu em setembro de 2017, pouco antes do anúncio de um decreto autorizando as mulheres a dirigirem a partir de junho de 2018.

A Human Rights Watch (HRW) relatou em 15 de setembro de 2017 que dezenas de pessoas foram presas. A Anistia Internacional disse que a campanha mirou em escritores, jornalistas, acadêmicos, mas também em religiosos, incluindo o famoso pregador Salman al-Ouda.

Foi nessa época que o jornalista de renome internacional Jamal Khashoggi, que entrou no consulado saudita em Istambul em 2 de outubro e que está desaparecido desde então, foi para o exílio nos Estados Unidos. Crítico ao poder saudita, defendeu a Irmandade Muçulmana, apoiada pelo Catar e pela Turquia.

Então, em novembro de 2017, eclodiu o caso Hariri: o jovem príncipe Mohammad, apelidado de "MBS", foi acusado de ter detido por duas semanas o primeiro-ministro libanês Saad Hariri enquanto visitava a Arábia Saudita.

Ao mesmo tempo, dezenas de príncipes, empresários e autoridades sauditas foram mantidos presos no Hotel Ritz-Carlton em Riad, acusados de "corrupção". Alguns só deixaram esta "prisão dourada" três meses depois, após fazerem "acordos financeiros" com as autoridades.

"MBS" procura cultivar no Ocidente a imagem de um reformador, reduzindo os poderes da polícia religiosa, autorizando a reabertura dos cinemas, a organização de shows e a entrada de mulheres nos estádios.

Ele enfatiza sua adesão a um "Islã moderado e tolerante", marcando uma ruptura com o wahabismo e a versão rigorosa da religião estatal na Arábia Saudita.

No entanto, o príncipe herdeiro não hesita em reprimir qualquer contestação militante da monarquia absoluta, dizem os especialistas.

Pelo menos 11 mulheres foram presas em maio de 2018 em nome da "segurança nacional", cerca de um mês antes do levantamento da proibição de dirigir para mulheres, de acordo com HRW. Algumas das pessoas detidas lutaram por décadas para obter esse direito: o governo não queria dar a impressão de que o levantamento da proibição foi o resultado dessa luta, segundo analistas.

Outras prisões foram registradas em 1º de agosto, incluindo as de duas ativistas dos direitos das mulheres, entre elas Samar Badawi, irmã de Raif Badawi, um blogueiro preso por "insultar" o Islã.

Em 22 de agosto, a Anistia Internacional expressou preocupação com o destino de Israa al-Ghomgham, uma jovem ativista xiita saudita que enfrenta a pena de morte com outras quatro pessoas julgadas por um tribunal "antiterrorista".

As autoridades sauditas não comentam informações de organizações de direitos humanos.

Elas negaram em duas ocasiões qualquer conexão com o desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi e autorizaram a revista de seu consulado em Istambul pelos serviços de segurança turcos.

Se as autoridades sauditas estiverem envolvidas neste caso, isso enviaria "um sinal inequívoco a outros jornalistas que ousam criticar o regime", escreveu o centro de análise Soufan nesta terça-feira.

bur-ras/all/mr/cc

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