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Sim, Shakira promoveu sua turnê El Dorado com símbolo usado por nazistas

Bogotá (Colômbia)

27/06/2018 17h37

A estrela colombiana do pop Shakira retirou um símbolo entre outros usado pelos nazistas presente na publicidade de sua turnê mundial El Dorado, após uma polêmica gerada nas redes sociais.

Embora o Sol negro não seja de uso exclusivo de grupos de ultradireita, como esclareceram historiadores, a produtora de shows da artista, Live Nation, decidiu suspender a venda deste símbolo 15 dias depois de abrir seu espetáculo na Alemanha em 3 de junho.

"O colar desenhado pela Live Nation para a turnê El Dorado de Shakira se baseou na iconografia pré-colombina", alegou a empresa americana em sua conta no Twitter.

Entretanto, "alguns fãs expressaram sua preocupação porque o desenho tem semelhança involuntária com imagens neonazistas. Pedimos sinceras desculpas por esta semelhança inadvertida e retiramos permanentemente o artigo da coleção da turnê", acrescentou a Live Nation.

Nas redes sociais, Shakira foi chamada de "nazista" por vender em sua loja oficial o colar com o Sol negro, símbolo usado pelas SS (Schutzstaffel, organização paramilitar do partido de Adolf Hitler) durante a Segunda Guerra Mundial.

Um portal alemão de notícias atiçou a polêmica sobre o desenho.

"O símbolo oculta três suásticas (...) Uma simples olhada na busca de imagens no Google e na Wikipédia demonstra isso. O sol negro é um símbolo nazista. Quando for ou onde for ("Whenever, wherever")", afirmou, referindo-se à famosa canção da artista colombiana.

Embora esse símbolo tenha sido usado pelos nazistas, sua origem é anterior, e ele não é proibido na Alemannha, como outras insígnias de extrema direita, e foi usado pelos grupos esotéricos.

Em seu livro "Black Sun: Aryan Cults, Esoteric Nazism, and the Politics of Identity" (Sol negro: cultos arianos, nazismo esotérico e política de identidade), o historiador e acadêmico britânico Nicholas Goodrick-Clarke afirma que o ícone da controvérsia remonta aos discos ornamentais dos merovíngios, uma dinastia medieval que reinou em parte da Europa ocidental entre os séculos V e VIII.

Álvaro Ortiz, pesquisador da Unidade de Patrimônio Cultural e Histórico da Universidade do Rosário da Colômbia, também reforça o uso múltiplo de alguns símbolos que passaram a ser associados ao nazismo.

"A empresa tem razão no sentido em que (...) sob a suástica foram cometidas as piores atrocidades do mundo, mas como simbologia, como cruz, se encontra também no Oriente, por exemplo", disse à AFP.

Embaixadora da boa vontade do Unicef (Fundo Mundial para a Infância), Shakira, de 41 anos, se manifestou contra o racismo em artigos como o que escreveu, em fevereiro de 2017, na revista Time contra a política migratória de Donald Trump.

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