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Figura medieval fatalmente restaurada: um novo "Ecce Homo" na Espanha

CENTRO DE ESTUDIOS BORJANOS
Ecce Homo original, deteriorado pela passagem do tempo e 'restaurado'; intervenções amadoras são muito comuns em patrimônio eclesiástico, diz especialista Imagem: CENTRO DE ESTUDIOS BORJANOS

Madri (Espanha)

27/06/2018 19h16

A história do "Ecce Homo", a pintura de um Cristo restaurada por uma idosa que o desfigurou, se repete na Espanha com a desafortunada restauração de uma escultura medieval de São Jorge no povoado de Estella.

Ao buscar "Estella" nas redes sociais, aparecem as imagens do antes e depois: a estátua de São Jorge a cavalo desbotada se transformou em uma figura com cores fortes, em cinza e vermelho, e a expressividade facial de um personagem das histórias em quadrinhos de Tintim.

A obra do século XVI se encontrava na igreja de San Miguel de Estella, na região de Navarra, e estava catalogada como bem de interesse cultural, de modo que qualquer manipulação devia contar com a autorização do governo regional.

"É uma peça interessante, feita por volta do ano 1500, de tamanho grande e bem conservada", afirmou à AFP o diretor regional de Patrimônio Histórico, Carlos Martínez Álava, que ficou sabendo da restauração por um morador do povoado.

Surpresos com a intervenção, visitaram a igreja no início de junho e encontraram um trabalho "sem profissionalismo e sem controle", feito por uma empresa de artesanato local.

"Cobriram a pintura do século XVI com pinturas atuais, também parece que foi feito algum trabalho de raspagem e lixamento, que não são práticas que estão dentro da restauração atual", denuncia Martínez, cujos técnicos estudam agora como "desrestaurar" a peça.

ARTUS RESTAURACIÓN PATRIMONIO
Escultura de São Jorge antes e depois da restauração; objetivo era apenas 'arrumar um espaço que estava sujo' Imagem: ARTUS RESTAURACIÓN PATRIMONIO


"Não podemos tolerar mais atentados contra o Patrimônio Cultural", afirmou em um duro comunicado a Associação de restauradores espanhola, que ameaçou fazer uma denúncia à justiça.

Meios de todo o país visitaram nos últimos dias este município de 13.000 habitantes com um importante patrimônio medieval, mas a obra se encontra tapada por um tecido e em uma capela agora fechada para o público.

"Não queremos que isto se converta em um lugar de peregrinação como aconteceu em Borja", afirmou o prefeito, Koldo Leoz.

O caso lembra inevitavelmente o "Ecce Homo" do povoado de Borja, que foi restaurado em 2012 por uma moradora octogenária que se tornou uma piada mundial ao desfigurar totalmente a pintura.

O quadro se tornou uma atração turística para esta população, que em um ano recebeu 57.000 visitantes, e a autora da restauração, Cecilia Giménez, começou a cobrar pela utilização comercial da sua obra.

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