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Ciência e arte cerram fileiras contra desigualdade social nos EUA

25/06/2018 08h43

Los Angeles, 25 Jun 2018 (AFP) - Em uma sala da fundação de arte Marciano, em Los Angeles, para além da exibição de telas e esculturas, 12 jovens se sentam ao redor de mesas pequenas.

Henry, de 15 anos, trabalha concentrado em seu projeto.

"Estamos tentando criar uma travessia para pedestres" com uma seleção musical que as pessoas poderão ouvir enquanto aguardam o sinal, explicou o jovem, enquanto manipula um pequeno dispositivo chamado MESH, que é a base do projeto.

Henry frequenta uma escola do sul de Los Angeles, uma das regiões mais pobres da cidade, e participa com seus colegas de um programa que combina arte e ciência, impulsionado por esta fundação junto com a organização Gênesis de combate à desigualdade na educação.

Os jovens já passaram pelo laboratório de alta tecnologia, incluindo a impressora industrial 3D e o muro táctil interativo de 3,3 metros.

Eles têm a tarefa de imaginar invenções que tornarão a vida cotidiana mais cômoda e divertida, inspirados em inovações como a música que começa a tocar nas escadas rolantes de algumas estações do metrô.

"Vocês têm sete minutos", diz ao grupo Lauren Rodrigues, diretora de educação do Gênesis, uma associação que promove o acesso à educação científica e artística, principalmente para jovens carentes.

Um murmúrio toma conta da sala, enquanto os jovens se concentram em desenvolver o próximo sistema revolucionário de reciclagem, um robô lixeiro ou alguma outra ideia incrível.

- Como uma incubadora -"Queremos funcionar como uma incubadora" para os gênios do futuro, disse Sheri Schlesinger, que fundou o Gênesis há cinco anos.

Esta organização sem fins lucrativos pretende desmistificar a suposta dificuldade da ciência, tornando-a divertida para crianças, inclusive as que vêm de bairros abastados, onde elas também se sentem intimidadas diante de um bico de Bunsen ou equações complicadas.

"Setenta por cento dos trabalhos do futuro ainda não foram inventados e a ciência, a tecnologia, a engenharia, a arte e a matemática [resumidos nas siglas STEAM, em inglês] são componentes críticos deste pensamento inovador", destacou Schlesinger.

À medida que a automação reduz cada vez mais a necessidade de mão-de-obra não qualificada, Schlesinger adverte que os dias de lavar pratos em um restaurante ou fazer outras tarefas domésticas para ganhar a vida vão acabar em breve.

Nos últimos 15 anos, os estudantes americanos tê demonstrado um desempenho nas ciências muito inferior aos padrões acadêmicos de seus colegas vietnamitas, sul-coreanos, japoneses, finlandeses e poloneses.

O sistema norte-americano tem tentado se atualizar, introduzindo programas financiados com fundos federais, enquanto as escolas privadas em geral se equiparam com oficinas que contam com máquinas industriais e o que há de mais moderno em dispositivos robóticos.

Cerca de 500.000 crianças da região metropolitana de Los Angeles vivem perto ou abaixo da linha da pobreza, e nenhuma delas "tem acesso a uma educação robusta em STEAM", disse Schlesinger.

"Este programa lhes dará oportunidades para conseguir trabalho no futuro".

- O passo seguinte -A fundação Marciano (MAF) começou em 2012 com os irmãos Maurice e Paul Marciano, criadores da grife Guess.

Paul abandonou recentemente a marca, após denúncias de má conduta sexual - o que ele nega - e Maurice assumiu o controle da empresa, bem como da fundação.

"Hoje vemos muitos artistas trabalhando com ciência e tecnologia e, de alguma forma, combinando as duas", disse o diretor adjunto da MAF, Jame Manne. "Acreditamos que esse é o passo seguinte".

"Ao impulsionar a ciência e combiná-la com a arte tem-se um entendimento melhor de cada área ao conhecer melhor a outra", acrescentou.

O Gênesis treinou mais de 4.000 jovens em áreas como codificação de computadores, realidade virtual e engenharia elétrica em museus, escolas particulares, clubes extracurriculares e, inclusive, um laboratório móvel.

Mais de 800 alunos passaram pela MAF desde que esta se aliou ao Gênesis há seis meses.

Enquanto observa seu Ozobot avançar por uma linha desenhada com um marcador de texto, Clea está em sua zona criativa.

"Tive um monte de ideias como esta antes, como uma travessia para pedestres em cores diferentes ou um poste que ilumine mais quando alguém passa", explica, entusiasmada.

"Seria realmente útil à noite, quando se é uma mulher caminhando sozinha em uma rua, por exemplo".

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