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Refogado de cachorro, uma das atrações do Festival de Carne Canina na China

22/06/2018 17h27

Yulin, China, 22 Jun 2018 (AFP) - É o ano do cachorro, mas os cães não conseguiram escapar do Festival de Carne Canina da cidade chinesa de Yulin, onde os pratos são variados, apesar dos protestos irados dos defensores dos animais.

Como todos os anos desde 2009, o festival de carne de cachorro começou na quinta-feira em Yulin. Nas bancas dos açougueiros, dezenas de animais mortos de pele amarelada se amontoam com as presas apertadas como em um último ricto.

No ano passado os rumores sobre uma proibição do evento não espantaram vendedores nem consumidores. Este ano prevalece a discrição. Refogam os cães em cozinhas, em vez de na rua, e no cardápio oferecem "carne saborosa" sem detalhar sua origem.

O consumo de carne de cachorro é minoritário na China, mas continua sendo popular em algumas zonas, especialmente na região de Guangxi. É tolerado pelas autoridades e carece de regulamentação sanitária.

Em Yulin, uma senhora sai do mercado com um cachorro inteiro que comprou por 662 iuanes (88 euros, 100 dólares) disposta a degustá-lo em família para comemorar o solstício de verão.

"É muito gostoso", assegura à AFP um habitante chamado Chen. "São cachorros de rua. Não é o mesmo que os animais domésticos", afirma.

Em um país onde ter um cachorro era considerado "burguês" e era proibido na época maoísta (1949-76), cada vez mais cidadãos possuem um animal doméstico e se opõem ao festival de Yulin.

Uma petição assinada por 235.000 pessoas do mundo todo enviada ao governo chinês reivindica a proibição do evento.

Segundo a associação de defesa dos animais Humane Society, milhares de cachorros são sacrificados durante o festival, e cerca de dez milhões são consumidos por ano na China.

- Mudança de tática -Antes os ativistas tinham como costume ir à cidade para comprar cachorros com o objetivo de salvá-los de seu triste destino. Hoje mudaram de tática: pressionam as autoridades a fim de obter a proibição do festival.

Os habitantes defendem seus costumes a qualquer preço, até o ponto em que "parecia que quanto mais ativistas havia, mais gente comia cachorro", diz Zhang Huahua, uma professora aposentada da província vizinha de Guangdong.

A professora passou boa parte da quarta-feira conversando com as autoridades locais sobre higiene alimentar e proteção dos animais. Em sua opinião, a questão está bem encaminhada.

A associação de Hong Kong Animals Asia Foundation abriu um site para que os cidadãos possam denunciar os restaurantes que sirvam carne de cachorro. Segundo esta fonte, foram apontados 1.300 em 153 cidades da China e mais de 200 foram fechados, receberam uma advertência ou têm proibido vender cachorro.

Em outros lugares da Ásia o consumo parece retroceder.

Um tribunal sul-coreano acaba de declarar ilegal o sacrifício de cachorros por sua carne, um primeiro passo - segundo os defensores dos animais - para tornar ilegal o consumo de cães.

No ano passado, Taiwan proibiu o consumo, a compra e a posse de carne de cachorro ou de gato, e o sanciona com uma multa de mais de 8.100 dólares (7.000 euros).

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