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Traficantes, armas, sexo: cinema de exploração negra volta a Hollywood

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Trevor Jackson e Lex Scott Davis em "SuperFly" (2018) Imagem: Divulgação

07/06/2018 15h43

Com seus carros rápidos, peles e chapéus Fedora, os heróis do "blacksploitation", o movimento cinematográfico de exploração negra da década de 1970, voltam às telas em meio a uma tendência nostálgica de Hollywood de regresso ao passado.

Este subgênero, derivado do chamado "cinema exploitation", é visto por alguns como uma celebração de um Estados Unidos rico ou como a volta de um estereótipo negativo.

Esta semana chegou aos cinemas americanos "SuperFly", um remake do clássico "Super Fly" de 1972, considerado um marco da cultura negra e talvez um dos filmes mais representativos do "blacksploitation".

Para o ano que vem está prevista uma nova versão de "Shaft" com Samuel L. Jackson, enquanto a Warner Bros planeja fazer um remake de "Cleópatra Jones" (1973) e o Hulu, um de "Foxy Brown".

"Alguns dos meus filmes favoritos são remakes", disse o veterano diretor de videoclipes e agora cineasta Director X em uma conferência em Los Angeles no fim de semana. "Eu queria ter a chance de fazer um grande remake de um filme clássico".

"Super Fly", que estreou em 4 de agosto de 1972, conta a história do narcotraficante do Harlem Youngblood Priest (Ron O'Neal) tentando concretizar um último grande trabalho antes de se aposentar da vida do crime.

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O ator Trevor Jackson no cartaz de "SuperFly" Imagem: Divulgação


Do Harlem a Atlanta

Trevor Jackson, mais conhecido por seu papel na série de comédia "Grown-ish", interpreta o papel principal na nova versão, enquanto Jason Mitchell ("Straight Outta Compton: A História do N.W.A.", "Mudbound - Lágrimas Sobre o Mississipi") encarna seu colega Eddie.

Director X deu à história inevitáveis toques modernos, incluindo transformar os romances de Priest com duas mulheres em uma relação "poliamorosa" de três.

Drogas e violência de armas, ambos elementos centrais do filme original, desempenham um papel muito menor neste remake.

A maior mudança é a que traslada o cenário do Harlem a Atlanta, uma cidade que desfruta de um momento cultural graças à sua florescente cena de hip-hop e a um regime fiscal favorável que atrai produtores importantes como Disney-Marvel.

"Os clubes no Harlem eram famosos mundialmente, inclusive os traficantes. É o que Atlanta é hoje", disse X, que substituiu a trilha sonora de Curtis Mayfield por uma liderada pelo rapper Future.

Para quê?

O "blacksploitation" deu à comunidade negra uma voz influente em Hollywood e apresentou imagens novas e empoderadoras dessa cultura, mas também recebeu críticas.

Muitos o veem como uma glorificação do crime e uma apresentação da percepção branca dos Estados Unidos negro, em vez de mostrar a realidade, especialmente porque poucos diretores, escritores e produtores são negros.

Os filmes do "blacksploitation" em geral eram de baixo orçamento e má qualidade, com enredos enfocados em drogas e proxenetas, e as personagens femininas - com frequência prostitutas - costumavam aparecer poucos segundos vestidas.

O ensaísta Michael Arceneaux criticou a volta deste tipo de cinema, muitas vezes misógino, em um artigo da revista The Root, enfocada na vida afro-americana.

"Quando penso em televisão e cinema negro, principalmente em televisão, há tantos exemplos de histórias novas e inovadoras", destacou. "Em um mundo em que existem 'Insecure', 'Queen Sugar', 'Corra!' e 'Pantera negra', para que buscar ideias nos anos 70?".

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