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"Oito Mulheres e um Segredo": uma aventura na era do #MeToo

Divulgação
Cena de "Oito Mulheres e Um Segredo" Imagem: Divulgação

Em Nova York

05/06/2018 10h55

Com "Oito Mulheres e um Segredo", Hollywood apresenta uma aventura feminina na era do movimento #MeToo, que rompe vários códigos de um gênero historicamente masculino.

"Ocean's 8" (título original) estreia na quinta-feira (7), mais de 10 anos depois de "Ocean's 13" ("Treze Homens e um Novo Segredo"), o terceiro capítulo das aventuras de Danny  Ocean (George Clooney) e seu grupo, que roubam cassinos sem perder a elegância.

Para revitalizar a saga, a Warner Bros obrigou Danny, falecido em circunstâncias desconhecidas, a dar lugar para sua irmã mais nova, Debbie (Sandra Bullock), que, assim como o irmão no início da trama, acaba de sair da prisão.

O cenário também é diferente: saem os cassinos e entra Nova York, em meio ao famoso baile de gala do Met.

O evento, organizado na vida real a cada mês de maio por Anna Wintour, editora da revista "Vogue", é o momento escolhido por Debbie Ocean para roubar um colar Cartier de 150 milhões de dólares.

Para concretizar a façanha, ela reúne uma equipe de especialistas, todas mulheres. Algo raro, mas já observados em filmes como "Até as Últimas Consequências" (1996).

Mas "Ocean's 8" vai além e evita completamente a testosterona. O longa-metragem abre mão de elementos inerentes ao gênero.

O filme não tem armas, explosivos, violência física ou a encarnação de um rival, uma espécie de inimigo representado por Terry  Benedict (Andy Garcia) em "Onze Homens e um Segredo". Ficam apenas o planejamento e a execução minuciosa do plano.

 "Muitas coisas mudaram"

Enquanto as tentativas anteriores apresentavam mulheres inexperientes, em alguns casos quase caricaturas, "Ocean's 8" mostra Debbie e suas cúmplices como uma equipe que não perde em nada para o grupo de Danny  Ocean.

"Já existiram versões masculinas, mas nunca houve este tipo de elenco de mulheres, que arrebentam", disse o diretor Gary Ross ("Jogos Vorazes").

Ross, que também é um dos roteiristas, explicou que foram necessários três ou quatro anos para que o projeto de um filme de alto orçamento completamente apoiado em atrizes fosse aprovado, inclusive com três atrizes vencedoras do Oscar e a cantora Rihanna no elenco.

"É interessante ver que há dois ou três anos, isto parecia impossível. Agora parece algo como: 'Bem, mas é claro'", disse Cate Blanchett, que interpreta Lou, a pessoa de confiança de Debbie.

"Muitas coisas mudaram, acredito", completou.

O filme foi rodado antes do escândalo Harvey Weinstein, mas a questão obriga Hollywood a questionar suas práticas e o local ocupado pelas mulheres no cinema.

"O que importa, em particular para as jovens mulheres, é ver personagens femininos que não são arquétipos, rasos, e sim bem diferentes, complexos, com nuances", disse Olivia Milch, uma das roteiristas do filme.

Na era #MeToo nada pode ser considerado neutro, inclusive um filme que não tem mensagem política e que pretende sobretudo divertir.

"Você não pode subestimar o poder da representação visual", disse Anne Hathaway, que interpreta a estrela Daphne  Kluger, que usa o famoso colar durante o baile do Met, no Museu Metropolitano de Nova York.

"E para uma menina de 8 anos nós não estamos dizendo para seguir uma carreira no crime, nós estamos falando 'vá fazer o que você deseja'. E 'existe espaço para você'".