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Oxford disponibiliza objetos raros de J R. R. Tolkien em exposição inédita

Daniel Leal-Olivas/AFP
Pessoas visitam prévia de exposição sobre J. R. R. Tolkien, em Oxford, no Reino Unido Imagem: Daniel Leal-Olivas/AFP

De Oxford (Reino Unido)

01/06/2018 10h01

A Universidade britânica de Oxford inaugura nesta sexta-feira uma grande exposição dedicada a J. R. R. Tolkien, autor de "O Senhor dos Anéis", que inclui objetos de vários países nunca antes exibidos.

"Tolkien, o criador da Terra Média", organizada na Biblioteca Bodleiana, apresenta manuscritos, obras de arte, mapas, cartas e objetos: esta é a maior exposição em décadas consagrada ao idolatrado autor britânico, cujos livros foram adaptados para o cinema com grande sucesso.

Alguns objetos retornam a Oxford, onde Tolkien viveu por muitos anos, pela primeira vez desde a morte do escritor na cidade inglesa em 1973.

"O que desejávamos mostrar era o trabalho original de Tolkien, desprovê-lo das interpretações onde começou", afirmou à AFP a curadora da exposição, Catherine McIlwaine, arquivista da obra do escritor na biblioteca.

A mostra evidencia a diversidade da produção de John Ronald Reuel Tolkien, com pinturas abstratas ou contos que escreveu para os filhos.

"Tolkien sempre foi um fenômeno mundial, inclusive quando estava vivo", afirma Richard Ovenden, diretor da Biblioteca Bodleiana.

"E somos na realidade a única biblioteca que pode fazer isto, porque temos, de longe, a maior coleção de material de Tolkien".

Manuscritos

A Biblioteca Bodleiana apresenta ao público grande parte de seu arquivo, ao lado de elementos interativos como o mapa tridimensional da Terra Média.

Mas entre os objetos centrais da exposição há alguns empréstimos, como rascunhos manuscritos e as belas ilustrações que o próprio autor fez para "O Hobbit", livro de 1937, e "O Senhor dos Anéis", 1954.

Este material vem da Universidade Marquette de Wisconsin (norte dos Estados Unidos), que o comprou de Tolkien no fim dos anos 1950.

"Sabíamos que seria extraordinário trazer estas peças novamente para Oxford", disse McIlwaine.

"Pensávamos que transformaria a exposição em algo especial".

A curadora acredita que pelo menos 200 objetos da mostra, que demorou cinco anos para ser organizada, nunca foram exibidos em público antes.

A exposição aborda aspectos da vida pessoal do autor, desde sua infância e anos como estudante até sua vida em família.

Muitos objetos foram emprestados por seu terceiro filho, Christopher  Tolkien, como a mesa e a cadeira de seu escritório, onde criou seus mundos fantásticos.

Também é possível observar cartas memoráveis de admiradores, como a enviada por um jovem Terry  Pratchett, que mais tarde se tornaria um escritor cultuado.

No material emprestado pela Universidade Marquette estão as notas preparatórias para "O Hobbit", que demonstram que Tolkien mudou alguns nomes de personagens: inicialmente, Gandalf se chamava Bladorthin.

Os laços com Oxford

Reprodução
J.R.R. Tolkien, autor da trilogia O Senhor dos Anéis Imagem: Reprodução

Os organizadores, que esperam receber 100 mil visitantes até 28 de outubro, acreditam que os fãs explorem a relação de Tolkien com Oxford, a cidade que fica 90 km ao oeste de Londres, e sua universidade, fundada no século XII.

Nascido na África do Sul, Tolkien foi criado na região de Birmingham (centro da Inglaterra). Ele morou em Oxford primeiro como estudante do Exeter  College.

Retornou como professor de inglês e de literatura no Merton  College, onde fez amizade com outros escritores importantes, como C. S. Lewis.

Tolkien foi enterrado no cemitério de Wolvercote, subúrbio norte de Oxford, e seu túmulo recebe a visita de legiões de admiradores.

"Oxford ofereceu a ele o marco em que conseguiu florescer como um gênio literário", disse Ovenden.