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Por que Brian de Palma decidiu fazer um filme sobre o caso Harvey Weintein

Mark Blinch/Reuters
O cineasta Brian De Palma Imagem: Mark Blinch/Reuters

Da AFP, em Paris (França)

01/06/2018 14h02

O cineasta americano Brian de Palma, diretor de "Scarface", volta com "suas obsessões" numa história policial, está disposto a filmar no Uruguai e prepara um projeto sobre o caso Weinstein e o movimento MeToo, explicou em entrevista à AFP.

Os eventos do escândalo Weinstein "me inspiraram uma nova ideia", que poderia tornar-se livro ou filme, afirmou o diretor de 77 anos em uma entrevista em Paris, onde uma retrospectiva de sua obra é realizada.

De Palma também publicará um romance em meados de maio, "Are Snakes Necessary?", co-escrita com sua parceira Susan Lehman, ex-jornalista do New York Times.

"Tenho acompanhado de perto o movimento MeToo porque conheço um monte de pessoas envolvidas", declarou o diretor de "O Fantasma do Paraíso" e "Missão Impossível", ícone do 'New Hollywood' da década de 1970 com Martin Scorsese e Steven Spielberg.

"Eu vi como tais abusos ocorriam, ouvi histórias durante todos esses anos", acrescentou, referindo-se às centenas de mulheres que acusaram o produtor americano Harvey Weinstein de assédio, agressão sexual ou estupro.

"Sempre reagi com raiva quando sabia de alguém que tinha feito essas coisas", disse ele. "Como diretor você procura atores e deve ganhar sua confiança e amor (...) violar isso de qualquer forma que seja, para mim é a pior coisa que se pode fazer."

- Filmagem no Uruguai -Seu próximo filme, "Sweet vengeance", será rodado no Uruguai, aponta o diretor. É "inspirado em duas histórias verdadeiras de assassinatos", diz o cineasta que quer narrar a história "como se faz na televisão" nos programas criminais.

"Durante 30 ou 40 anos assiti uma série de histórias verdadeiras de crimes apresentados na televisão, como no programa '48 horas'", disse ele.

"Estou interessado em como contam a história do crime. Então eu farei do jeito que fazem na televisão, baseado em dois casos reais", acrescentou.

De Palma, que se define principalmente como "estilista da imagem", experimentou altos e baixos em 50 anos de carreira e abandonou o circuito de Hollywood nos anos 2000 e o fracasso de público e de crítica de sua ficção científica "Missão Marte".

Desde então, o cineasta, muito crítico da indústria de Hollywood, passou a filmar fora dos Estados Unidos: na França, o filme "Femme Fatale" (2002), na Jordânia "Guerra sem cortes" (2007) e na Alemanha "Paixão" (2012).

Seis anos depois deste último filme erótico, Brian de Palma concluiu na semana passada o seu próximo filme, a coprodução europeia "Domino".

"Mas agora está nas mãos dos produtores dinamarqueses e eu não sei o que vai acontecer, foi uma experiência muito difícil, porque quase sempre faltava dinheiro", explicou.

"Filmando mulheres"

Seu primeiro romance, escrito com sua parceira Susan Lehman, "Are Snakes Necessary?", publicado apenas em francês, também surgiu de uma ideia de roteiro de filme e é sobre um senador americano e uma série de personagens que giram em torno dele.

O livro, sobre o qual plaina a sombra de Alfred Hitchcock, uma das maiores influências na vida de Brian de Palma, retoma temas que lhes interessam como poder, manipulação, o significado de imagens ou a ideia "de uma mulher que não pode ser salva", diz ele.

Altamente criticado pela violência de seus filmes, principalmente com personagens femininos, o diretor de "Obsessão" e "Um tiro na noite", diz que "gosta de filmar as mulheres" e rejeita as críticas.

"Para mim, isso fazia parte do gênero" do suspense, enfatizou. "Nunca pensei que houvesse algo sexista", concluiu ele.