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Casamentos reais transmitidos pela TV, uma história que começou em Mônaco

18/05/2018 09h38

Mônaco, 18 Mai 2018 (AFP) -

Sessenta e dois anos antes da cerimônia de casamento do príncipe Harry, a união de Rainier III de Mônaco com Grace Kelly, em 1956, na época uma estrela no auge da carreira em Hollywood, foi o primeiro a ser transmitido pela televisão.

Eram imagens em preto e branco transmitidas ao vivo, mas que chegaram gravadas ao público americano.

Ainda não existia a televisão a cores e poucos tinham um aparelho em casa. Mas a noiva, americana como a noiva de Harry, Meghan Markle, era o ingrediente perfeito para dar um toque de glamour a Mônaco e ajudar o jovem príncipe de 32 anos a dar um novo impulso ao seu pequeno Estado no período do pós-guerra.

Consciente dos benefícios que podia tirar da presença das câmeras de televisão de todo o mundo e de sua aliança político-econômica com os Estados Unidos, o principado não poupou para fazer desta cerimônia um evento midiático mundial.

Em 19 de abril de 1956, três anos após a transmissão da coroação de Elizabeth II da Inglaterra, 30 milhões de telespectadores europeus em nove países assistiram ao casamento ao vivo pela televisão, um evento coberto por 1.800 jornalistas, um recorde na época.

Contudo, nos Estados Unidos, a cerimônia foi transmitida gravada. "A fita foi enviada por avião, pois ainda não existiam satélites", explica o documentarista Frédéric Laurent. "Nos dias seguintes, a cerimônia também foi transmitida em salas de cinema".

"Foi preciso esperar 25 anos - o casamento entre o príncipe Charles e Diana - para voltar a viver um evento similar", aponta. "Rainier tinha consciência do poder da mídia. Seu casamento foi imaginado como um grande evento que voltou a colocar Mônaco no mapa em um momento em que o principado estava estagnado e os jornais de pós-guerra se interessavam pouco por ele".

- Seda, tule e casaco de vison -O amor entre Rainier e sua princesa "hollywoodiana" foi uma benção para a imprensa de celebridades, que estava fascinada por esta bela americana criada no seio de uma rica família católica irlandesa da Filadélfia.

Foi um fotógrafo da revista francesa "Paris Match" que apresentou ao príncipe de Mônaco esta atriz, musa de Alfred Hitchcock, por ocasião de uma série de fotos exclusivas em Mônaco, em 1955, durante o Festival de Cannes. Grace Kelly tinha acabado de ganhar um Oscar de melhor atriz. Era, junto com Ava Gardner e Marylin Monroe, uma das três grandes estrelas do momento.

O desenho de seu vestido de noiva, presente do estúdio Metro Goldwyn Mayer, se manteve em segredo. Mas o público pôde admirar dois dias antes da cerimônia a roupa cor de marfim, de mangas compridas e com um corte impecável que ressaltava a elegância da atriz vista de costas, diante do altar.

O casamento foi celebrado na Catedral de São Nicolau, em Mônaco, na presença de 1.100 convidados. As mulheres vestiam roupas de seda, tule e casacos de vison. A cerimônia contou com a animação de um órgão e de um coral infantil.

Para quem assistia de casa, o barulho das câmeras atrapalhou os telespectadores ouvirem o "sim, aceito" dos noivos.

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