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Humano demais, novo assistente virtual do Google abre debate ético

11/05/2018 17h32

San Francisco, 11 Mai 2018 (AFP) -

Hiper-realista, a última versão do assistente virtual do Google, que pode inclusive fazer ligações no lugar do usuário, parece tanto com um ser humano que causa um certo medo em muitos.

Na apresentação do novo assistente, o presidente do Google, Sundar Pichai, provocou vários "Ooh!" de admiração, intercalados com alguns olhares de desconfiança entre os milhares de analistas de sistemas e jornalistas presentes na conferência anual de desenvolvedores da Califórnia, a IO18.

Ele tinha acabado de difundir uma conversa entre o novo programa movido a inteligência artificial e uma funcionária de um salão de beleza, na qual o assistente virtual mostrava tal realismo que chegava a murmurar "hum...hum" quando sua interlocutora pedia que ele esperasse um minuto enquanto consultava os horários.

A conversa era tão natural entre o Google Assistant e a funcionária, que esta parecia não perceber que estava falando com uma máquina.

Segundo os responsáveis do Google, esta tecnologia, batizada 'Duplex' permite ao programa conversar de "forma natural". Equipado em vários aparelhos eletrônicos, o assistente virtual pode, além disso, saber quando é mais conveniente responder rapidamente, como depois que alguém diz "bom dia", e quando pausar como uma pessoa faria antes de responder perguntas complexas.

Segundo o gigante tecnológico, o sistema é útil para os clientes, fazendo com que eles ganhem tempo, e também para os negócios que não têm sites na internet, porque permite marcar horários por telefone.

"O objetivo do nosso assistente é ajudar a realizar as tarefas", disse Pichai. E estas novas funcionalidades serão testadas nos próximos meses, segundo o grupo de Mountain View.

A surpresa inicial deu lugar a um debate ético e moral sobre as redes sociais. Enquanto alguns consideram que os interlocutores devem ser informados de que estão falando com uma máquina, outros se perguntam sobre a possibilidade de que estes robôs tão persuasivos sejam úteis demais para fins comerciais ou políticos.

- Star Trek -"Google Duplex é a coisa mais incrível e apavorante da #IO18", tuitou Chris Messina, designer de produtos que trabalhou no Google.

Trata-se de um desenvolvimento importante e marca a necessidade urgente de preparar um controle adequado das máquinas que podem enganar as pessoas fazendo-se passar por humanos, estima Kay Firth-Butterfield, encarregada de "inteligência artificial e aprendizado de máquina" no Centro para a Quarta Revolução Industrial do Fórum econômico mundial.

"Estas máquinas poderiam ligar de parte de partidos políticos e dar orientações de voto bastante convincentes", indicou.

Outra questão: no caso de que, por exemplo, um cliente não compareça a um horário marcado e tenha que pagar alguma multa, quem é o responsável pelo erro?

Nestes momentos de preocupação sobre a confidencialidade dos dados na internet, alguns se inquietam também pelos dados que podem ser obtidos pelos assistentes numéricos e por quem tem acesso a eles.

"Acho que em geral os humanos concordam em falar com máquinas com a condição de que saibam disso", estimou Lauren Weinstein, especialista de confidencialidade na internet, em um fórum de discussão dedicado ao Duplex no site do Google.

Enquanto isso no Twitter, muitos internautas debatem se é contrário aos princípios éticos não informar a um interlocutor que ele está falando com uma máquina.

"Se você, assim como eu, cresceu vendo 'Star Trek', sem dúvida já imaginou um futuro em que as pessoas conversam naturalmente com os computadores", opina Andreas Schafer, pesquisador em informática no fórum Duplex.

"E bem, parece que este futuro chegou", conclui.

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