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Como "O Grande Lebowski" driblou críticas negativas para virar ícone pop

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Cena do filme "O Grande Lebowski" Imagem: Reprodução

Los Angeles (EUA)

10/05/2018 19h37

Um maconheiro de roupão de banho e seus dois amigos invadiram há 20 anos a cultura popular com um filme estranho sobre boliche, goles de "white  russian" e um tapete estragado.

Os irmãos Ethan e Joel Coen foram os magos criadores das idiossincrasias e complexidades de "O Grande Lebowski", que destila o espírito simples e relaxado na Los Angeles dos anos 1990 em Los Angeles, através de um thriller policial muito ao estilo do escritor Raymond Chandler.

O filme não ganhou o Oscar, as críticas foram mornas e não foi um sucesso de bilheteria.

Mas se tornou um fenômeno cultural, com sua própria seita, o 'Dudeism' (Carismo, em tradução literal) - inspirada em seu personagem "The Dude", O Cara, em português - com 450 mil ministros.

Vestindo roupões de banho, fãs do filme se reúnem todos os anos no Lebowski  Fest, que chega a Los Angeles em duas semanas para lembrar Jeffrey "O Cara" Lebowski, interpretado por Jeff Bridges.

"Estou muito orgulhoso de ter feito parte deste filme, que é um grande, grande filme", disse o ator, ganhador do Oscar, de 68 anos, em uma exibição recente em Hollywood.

A trama conta a história do "Cara", um vagabundo desempregado com um fraco por 'white russian' - drink feito de vodca, licor Kahlua e nata líquida -, que embarca numa cruzada para para substituir seu amado tapete estragado e acaba se envolvendo em um rocambolesco caso de troca de identidades.

Pelo caminho aparecem também o incontrolável veterano de guerra Walter Sobchak (John Goodman) e seu amigo praticamente mudo, Donny (Steve Buscemi).



Escrita de qualidade

Muitas das críticas ruins que recebeu - "thriller bagunçado com um herói triste", segundo a revista New York, história "desconexa, incoerente e, inclusive, irritante" para o LA Times - foram revertidas com o tempo.

"'O cara permanece" (The dude  abides, no original) é uma das frases mais citadas no filme, mas o diálogo inicial do personagem também pegou. "Eu sou o cara, então é assim que você deve me chamar", insiste ele. "Assim ou, ahn, Sua 'Carestade', ou, bem, o Maior Cara, ou 'El Carino', se não gostar de nomes curtos".

Segundo Bridges, cada "sujeito" ou "cara" que seu personagem diz foi meticulosamente planejado. "Esta é uma das grandes coisas dos irmãos Coen, parece que é uma coisa de momento, mas na verdade é escrita de qualidade".

"Como atores, nós nos dizíamos, 'temos que decifrar esta letra', como quando você canta uma canção", acrescentou.

"Lebowski" estreou em março de 1998, embora as comemorações por seus 20 anos ocorram ao longo do ano, incluindo exibições em 600 cinemas dos Estados Unidos em agosto.

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Jeff Bridges em cena de "O Grande Lebowski" Imagem: Reprodução

Bridges já foi perguntado mais de uma vez se estaria disposto a fazer uma sequência; sua resposta costuma ser um sorriso indulgente, acompanhado de um gesto de entusiasmo.

Os Coen já disseram que não farão um segundo filme, embora em agosto tenha sido anunciada sua bênção a um spin-off sobre o jogador de boliche Jesús Quintana, interpretado por John Turturro.

Mas nem os Coen, nem Bridges estão envolvidos na produção.

"Se os irmãos me chamarem, eu vou", afirmou em entrevista à AFP em outubro passado. "Sinto tanto orgulho desse filme, de ter feito parte dela. Estes caras, os irmãos Coen, são uns mestres, fazem tudo parecer muito simples".

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