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Spotify se lança em Wall Street abaixo do esperado e quer repercutir nos mercados

Getty Images
O sueco Daniel Ek, de 33 anos, cofundador da plataforma Spotify Imagem: Getty Images

San Francisco (EUA)

03/04/2018 18h41

O Spotify estreou nesta terça-feira (3) em Wall Street, com a expectativa de se tornar em um hit entre investidores da plataforma de música online e trampolim para os artistas.

No fechamento de Wall Street, uma hora após o lançamento, a ação com a sigla "SPOT" era cotada em US$ 149,01, uma queda de 10,18% em relação ao preço de introdução. A queda foi notória, mas o valor inicial avaliava a empresa em US$ 29,5 bilhões. Após o fechamento, ficou em US$ 26,5 bilhões.

Em todo caso, a cotação está acima do "preço de referência" de US$ 132 fixado na segunda-feira pela Bolsa de Valores de Nova York. A valorização superava também a de US$ 20 bilhões calculada por analistas.

"Até o momento, é um sucesso incontestável", disse Tom Cahill, da Ventura Wealth  Management.

O lançamento do Spotify se deu de forma incomum: a empresa optou por vender diretamente e abrir mão de intermediários. A cotação direta é um procedimento simples e mais barato para a empresa, que, assim, não deve a nenhuma entidade. Contudo, isso torna o preço imprevisível.

O Spotify diz ter 159 milhões de usuários mensais, entre eles 71 milhões de assinantes pagos, o dobro da sua rival Apple Music, lançado em 2015. "Claramente, há mais compradores que vendedores de títulos do Spotify", apontou Cahill.

Para Daniel Ek, cofundador e CEO da empresa, entrar na bolsa equivale a passar para um "nível mais alto". Contudo, "isso não muda quem somos, o que fazemos, como operamos", garantiu.

"Não somos uma empresa normal"

Desdenhando de outra tradição, os executivos da empresa não estavam presentes quando as ações começaram a ser negociadas. A fachada da bolsa, contudo, exibia uma grande bandeira da Suíça, um erro que logo foi corrigido, com o içamento da bandeira Suécia.

"O Spotify nunca foi uma empresa normal", disse Ek, de 35 anos.

O Spotify será acompanhado de perto pelos investidores, num momento em que empresas tecnológicas passam vivem uma volatilidade extrema, devido ao uso indevido de dados de milhões de usuários do Facebook.

O índice Nasdaq, que concentra valores tecnológicos, melhorou um pouco nesta terça, após ter caído 2,74% na segunda-feira e acumular um recuo de 10% desde 12 de março.

Na semana passada, o Spotify alertou que o crescimento de suas vendas será menor neste ano, mas ainda tem expectativas de prejuízos mais baixos em 2018. No curto prazo, pretende aumentar a quantidade de assinantes para um mínimo de 92 milhões neste ano.

O Spotify, que nunca conseguiu ter lucro desde o lançamento do serviço, há dez anos, disse que a principal razão para seu crescimento lento está na taxa de câmbio desfavorável.

Reprodução/Youtube
Taylor Swift em cena do clipe de "Delicate" Imagem: Reprodução/Youtube

Fervor dos adolescentes

"O Spotify é uma marca 'cool'", avaliou o analista da eMarketer Paul Verna. "Os adolescentes, especialmente, adoram o Spotify. Isso é um bom sinal de lealdade com a marca, o que é um grande fator para o vício em serviços de música", acrescentou.

Os consumidores de música online não gostam de reconstruir perfis, ou playlists, o que provavelmente os manterá no Spotify, segundo o analista. Pressionada a pagar valores mais elevados aos criadores de música, o Spotify está conseguindo avançar nos diálogos com artistas.

Um dos exemplos é o lançamento do novo clipe da estrela pop Taylor Swift, da música "Delicate", no próprio Spotify, em março. A cantora provocou um abalo em 2014, quando retirou suas músicas da plataforma devido a discordâncias acerca do retorno financeiro, mas três anos depois voltou ao Spotify.

As vendas de música dispararam no ano passado nos Estados Unidos, estimuladas pelo crescimento do streaming, gerando as maiores receitas em uma década. "O Spotify impulsionou uma reviravolta na indústria americana", disse Verna.

O modelo do Spotify de permitir escolher as músicas está se mostrando mais popular que os downloads pagos, playlists, ou transmissões de rádio, segundo este analista.