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Governo da Alemanha ainda se encontra sob ciberataque

01/03/2018 15h47

Berlim, 1 Mar 2018 (AFP) - O governo alemão revelou ser vítima, nesta quinta-feira, de um ataque hacker "ainda em curso", indicou o comitê parlamentar para questões de segurança, sem precisar a autoria, embora a imprensa local aponte invasores russos.

"É um ataque tecnicamente ambicioso e preparado há muito tempo", afirmou o ministro de Interior, Thomas de Maizière.

"É um acontecimento grave, que confirma o que sabíamos: diversos atores ameaçam, por diferentes motivos, a segurança informática" do país, explicou.

O ciberataque, contudo, "está sob controle" declarou o secretário de Assuntos Nacionais, Ole Schroder. "Conseguimos (...) isolar e controlar este ataque", afirmou ao grupo de jornais regionais RND.

"Trata-se de um verdadeiro ciberataque, que visa contra uma parte do governo. É um processo que continua em curso", indicou, em uma breve coletiva de imprensa, o deputado conservador Armin Schuster, membro do comitê de controle dos serviços secretos da Câmara dos deputados.

"Não podemos atualmente avaliar de forma completa os danos, seria prematuro", afirmou Schuster, membro do partido democrata-cristão da chanceler Angela Merkel.

O caso foi revelado nesta quarta-feira por diferentes veículos de comunicação.

Segundo a agência de imprensa alemã DPA, que citava fontes anônimas, o grupo russo que estaria por trás do ataque é conhecido como "Snake".

Outro grupo, o "APT28", também conhecido como "Fancy Bears", ou "Tsar Team", tinha sido citado inicialmente, mas a pista foi descartada.

O grupo hackeou dados dos sistemas dos ministérios da Defesa e de Relações Exteriores durante um longo período, de pelo menos um ano.

Os serviços de investigação alemães só se deram conta do ataque em dezembro.

Segundo o deputado ecologista Constantin von Notz, membro do comitê de questões de segurança, os parlamentares souberam do ataque por meio de um despacho da agência DPA, o que ele considerou "totalmente inaceitável".

Os serviços de inteligência alemães, que temiam ciberataques que pudessem perturbar as legislativas de setembro do ano passado, acusaram em várias ocasiões aos serviços secretos russos de executar campanhas internacionais de ataques para espionagem e sabotagem, em particular em 2015 contra o Bundestag, a câmara de deputados.

Os altos funcionários dos serviços de segurança informática da Alemanha alertaram, durante as eleições gerais de 2017, que hackers russos poderiam tentar influenciar ou interromper o pleito.

Cerca de 17 gigabytes de informações foram pirateados, presumivelmente por hackers russos, no ataque ao sistema informático do Bundestag alemão, em 2015.

Em outro ataque separado, vários partidos alemães receberam falsos e-mails supostamente da sede da Otan, em setembro de 2016, com links que instalaram vírus nos computadores das vítimas.

Graças aos ataques, o Ministério da Defesa alemão criou, em 2016, um departamento especializado para coordenar a resposta às invasões.

Merkel pediu à população para "não se deixar irritar pelos ataques". "É preciso estar consciente de que essas coisas existem e temos de conviver com isso", afirmou.

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