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Produtora Weinstein Company declara falência

26/02/2018 15h57

Nova York, 26 Fev 2018 (AFP) - Depois das infrutíferas negociações de compra, a produtora The Weinstein Company, fundada por Harvey Weinstein e seu irmão, vai declarar falência, abalada por dívidas e acusações na Justiça de ter encobertado os abusos sexuais de seu sócio.

A empresa entrou em declínio desde que começaram a ser divulgadas, em outubro, as denúncias de assédio sexual, abuso e estupro contra Weinstein, produtor de filmes premiados como "O Artista", "O Discurso do Rei", entre muitos outros.

"Apesar de reconhecermos que este é um resultado extremamente infeliz para nossos funcionários, nossos credores e qualquer vítima, o conselho administrativo não tem outro remédio que buscar a única opção viável para maximizar o valor restante da empresa: um processo de falência", afirma a comissão de diretores em carta dirigida a Maria Contreras-Sweet e Ron Burkle, que negociavam a compra do estúdio há algumas semanas.

Na carta, datada de domingo e divulgada em diversos veículos de comunicação americanos, o estúdio acusa Contreras-Sweet, funcionária do governo de Barack Obama, e o milionário Burkle de não terem investido "fundos provisórios necessários" para o pagamento de funcionários e de não terem respondido satisfatoriamente às condições impostas pela Justiça americana.

O grupo estava pronto para concluir uma negociação de compra da Weinstein Company por quase 500 milhões de dólares, até que o estado de Nova York abriu processo contra a produtora em 11 de fevereiro por não proteger suas funcionárias do assédio e agressão sexual. A Justiça bloqueou a operação, temendo que a venda deixasse as vítimas sem uma indenização adequada.

O procurador-geral de Nova York, Eric Schneiderman, reclamou da negociação para a venda da The Weinstein Company, que previa manter no conselho diretores que acobertaram o comportamento de Weinstein, como David Glasser, diretor de operações do estúdio.

Schneiderman também processou o estúdio por não proteger seus funcionários, acusando a empresa de não fazer investigações, apesar de receber "dezenas de queixas formais e muitas outras informais".

De acordo com o procurador, o estúdio se organizava para facilitar os abusos: alguns funcionários deviam acompanhar Weinstein em eventos e facilitar suas "conquistas", outros eram "responsáveis" por limpar seu escritório após seus "contatos sexuais".

Apesar de Glasser ter sido demitido após a intervenção de Schneiderman, os sócios não chegaram a um acordo. Nem Contreras-Sweet, nem Burkle responderam até o momento ao pedido de comentários da AFP

- Processos acumulados -Esse deve ser o fim da The Weinstein Company, em crise desde as primeiras acusações contra o produtos, em 5 de outubro.

Fundada em 2005, após os irmãos Weinstein venderem seu estúdio Miramax à Disney, a empresa tirou o Weinstein do conselho diretor dias após as primeiras acusações, em 8 de outubro.

Rapidamente, as acusações se multiplicaram. Mais de 100 mulheres - entre elas, celebridades como Gwyneth Paltrow, Salma Hayek e Uma Thurman - acusaram Weinstein de assédio, abuso, ou estupro.

Dezenas de ações civis, pelo menos duas coletivas, foram apresentadas contra o produtor e a empresa, que poderia gerar milhões de dólares de prejuízo à empresa.

Esperava-se que a oferta de 500 milhões de dólares feita por Contreras-Sweet e Burkle incluísse dinheiro para as vítimas e 225 milhões para abatimento de dívidas.

A confirmação da falência deve "interromper os processos", segundo a revista Forbes.

Diante da avalanche de acusações que deram origem ao movimento #MeToo, os advogados de Harvey Weinstein, de 65 anos, sempre negaram relações sexuais não consensuais.

De acordo com a imprensa, Weinstein está em tratamento para o vício em sexo e é alvo de investigações nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. Mas até o momento não foi apresentada nenhuma acusação contra ele por qualquer crime.

it/pg/pb.zm/fp/ll

THE NEW YORK TIMES COMPANY

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