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Romeno 'Touch me not' leva Urso de Ouro em Berlim

24/02/2018 19h32

Berlim, 24 Fev 2018 (AFP) - O filme "Touch me not", uma exploração sobre o sexo e a intimidade dirigida pela romena Adina Pintilie, ganhou o Urso de Ouro neste sábado (24) na 68ª edição do Festival de Berlim, em um dia de premiações marcadamente feminino.

"Touch me not" é um longa no meio do caminho entre a ficção e o documentário, baseado em personagens que tentam penetrar na intimidade de formas inesperadas.

"Para muita gente, este não será um filme confortável. Nós desafiamos você, espectador, a dialogar e a olhar para si mesmo", convidou a diretora, de 38 anos.

"Queremos abrir no mundo o diálogo proposto no filme", acrescentou ela.

Das quatro diretoras na competição em 19 filmes, duas foram recompensadas com duas das maiores distinções, já que a polonesa Malgorzata Szumowska conquistou o Grande Prêmio do Júri por "Twarz".

"Estou feliz de ser uma mulher diretora", disse Szumowska, cujo filme trata de um homem desfigurado após sofrer um grave acidente.

"Acho que esta semana (de Festival) mostrou isso pelo filmes dirigidos por mulheres formidáveis sobre mulheres formidáveis: replicamos e acho que está muito bem assim", declarou o diretor da Berlinale, Dieter Kosslick, após uma competição marcada pela campanha #MeToo contra assédio e abuso sexual.

O festival também premiou "Las herederas", do paraguaio Marcelo Martinessi, com o Urso de Prata de melhor atriz para Ana Brun e com o Urso de Prata "Alfred Bauer", como filme que abre novas perspectivas.

A produção de Martinessi, que retrata uma mulher homossexual burguesa na idade madura em busca de um novo começo, fez história, já que é o primeiro filme do Paraguai em competição na Berlinale.

"Vivemos em uma sociedade conservadora e, se estamos abrindo as mentes e abrindo portas no Paraguai, então este filme contribuirá muito", comentou Martinessi.

Para o cineasta, não se trata apenas de defender "a diversidade sexual, mas do fato de que as mulheres têm um papel-chave em construir histórias em uma sociedade latino-americana machista".

A produção explora o universo feminino por meio de Chela (Ana Brun), que vive com sua companheira Chiqui. Quando Chiqui é presa devido às dívidas de ambas, Chela viverá isso como uma libertação que lhe permitirá se reencontrar consigo mesma.

Emocionada, Ana Brun, advogada de formação que até agora havia atuado essencialmente no teatro, dedicou o prêmio "a todas as mulheres em (seu) país que lutam".

Brun explicou que o papel reflete parte de sua vida, marcada pela "feridas" e, ao mesmo tempo, pela determinação de seguir adiante. Para o papel, contou ter-se inspirado em sua avó e em sua época, quando as mulheres "não podiam fazer parte das conversas" e quando o que acontecia era "em segredo".

Wes Anderson ganhou o Urso de Prata de melhor diretor por "Ilha de cachorros", um dos favoritos da crítica, e o francês Anthony Bajon foi recompensando com a estátua de melhor ator por seu trabalho em "La Prière".

- Prêmio dedicado aos mexicanos -Segundo latino-americano em disputa, "Museo", do mexicano Alonso Ruizpalacios, com Gael García Bernal, levou o prêmio de melhor roteiro.

Ruizpalacios, cujo filme recorda o espetacular roubo no Museu de Antropologia do México cometido em 1985 por dois estudantes de veterinária, dedicou o prêmio a "todos os mexicanos".

Ele lembrou que o furto aconteceu pouco depois do catastrófico terremoto que deixou cerca de dez mil mortos no México, observando que, 32 anos depois, um novo sismo foi registrado.

"Nessas situações, os mexicanos mostram do que são capazes", completou.

Na seção Panorama, a segunda mais importante do festival, o Prêmio do Público para o Melhor Documentário foi para "El silencio de los otros", de Pedro Almodóvar.

Rodado durante seis anos, o filme - que também conquistou o Prêmio da Paz - acompanha as vítimas dos crimes cometidos durante o franquismo em sua luta para que os culpados sejam processados e que se abram as fossas comuns na Espanha.

Nessa categoria, o terceiro lugar foi atribuído a "O processo", documentário da brasileira Maria Augusta Ramos sobre os bastidores do impeachment da então presidente Dilma Rousseff em 2016.

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