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Possível James Bond, Idris Elba cita "Cidade de Deus" em Festival de Berlim

Helga Esteb/Shutterstock.com
Idris Elba, Los Angeles, 2016 Imagem: Helga Esteb/Shutterstock.com

Berlim (ALE)

23/02/2018 09h45

Os últimos dias de Oscar Wilde e a jornada de um traficante de drogas em Londres: em sua estreia atrás da câmera, os atores Rupert  Everett e Idris Elba capturam histórias que se assemelham com suas vidas.

"Eu nunca fui um gângster", adverte logo de início Idris Elba ao apresentar na quinta-feira (22) "Yardie", seu primeiro filme como diretor exibido na mostra "Panorama" da Berlinale, o Festival de Cinema de Berlim que termina este final de semana.

"Mas eu entendo as tentações que existem para um imigrante em um lugar como Londres nos anos 80. É muito fácil escolher um caminho ou outro", explicou o ator da série "The Wire" e de filmes como "Star Trek: Sem Fronteiras".

"Yardie" acompanha o percurso de "D.", um jovem jamaicano, que vende drogas para um traficante desde a morte de seu irmão. Ele vai para Londres para continuar o negócio de seu chefe e encontra a mãe de sua filha. Entre uma vida normal, o crime e seus antigos demônios, ele terá que escolher.

"Sua história não é tão diferente da dos jovens negros na Grã-Bretanha, quer sejam eles das Antilhas ou da África", ressaltou o ator britânico, originário da África Ocidental e cujo nome circula regularmente para incorporar o primeiro James Bond negro.

"Eu não queria fazer um filme sobre gangues, mas sobre uma pessoa vivendo com um trauma e fazendo escolhas com base nisso", afirmou, citando o filme brasileiro "Cidade de Deus" (2002).

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Cena do filme "Cidade de Deus" (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund Imagem: Reprodução


Pronto para recomeçar

Para Rupert Everett, pioneiro do cinema gay, muito popular nos anos 90, falar sobre a vida de Oscar Wilde é ainda mais óbvio.

O ator de 58 anos, que estrelou "O casamento do meu melhor amigo" junto com Julia Roberts, já participou de dois filmes sobre Wilde e de várias peças de teatro sobre o escritor irlandês, antes de embarcar na realização de "The Happy Prince", com Colin Firth e Emily Watson.

No filme, apresentado durante uma sessão especial na Berlinale, ele trata sobre o exílio na França e na Itália de Wilde, depois de uma condenação em 1895 por indecência ligada à sua homossexualidade. Ele então passou dois anos na prisão em Reading, no sudeste da Inglaterra.

Ao contrário de Idris Elba, ausente na tela em "Yardie", Rupert Everett assume o papel principal no filme que ele também produziu.

"Há muitos paralelos entre ser um ator homossexual e ser rejeitado ou não totalmente aceito em um ambiente fechado. O que, com certeza, foi uma das coisas que me empurrou para tentar contar esta história", explicou o britânico em Berlim.

Para Everett, o escândalo que atingiu Oscar Wilde foi o ponto de partida para o movimento de luta pelos direitos dos homossexuais.

Mas por que fazer um novo filme sobre esse personagem, especialmente após a biografia realizada em 1997 por Stephen Fry? Para mostrar esta página menos conhecida de sua vida e seu lado autodestrutivo, responde Everett.

Considerado arriscado, este projeto foi concretizado graças a fundos da Bélgica, Alemanha e Itália. Após tal experiência, Everett diz que está pronto para continuar atrás da câmera, sem mencionar projetos específicos.

Um desejo compartilhado por Idris Elba, que exclui fazer filmes com unicamente personagens negros. "Eu posso filmar todas as culturas", diz o ator de 45 anos, considerando ser perigoso categorizar filmes desta forma.

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