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Análise: Pantera Negra mostra maior inclusão no cinema ou simples exceção?

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Cena do filme "Pantera Negra" Imagem: Reprodução

Da AFP, em Los Angeles (EUA)

22/02/2018 10h29

O sucesso global e histórico de "Pantera Negra" e seu elenco basicamente negro pode finalmente prever dias felizes para diretores e atores negros, ou o novo filme de super-herói da Marvel será apenas uma exceção que confirma a regra?

Para o primeiro fim de semana de exibição na América do Norte, o 18º filme do universo Marvel arrecadou 242,2 milhões de dólares, para um total de 426,6 milhões em todo o mundo.

"As primeiras receitas estrangeiras de Pantera Negra acabam com o mito de que filmes predominantemente negros não podem arrecadar dinheiro na Europa", explica Jeff Bock, analista da Exhibitor Relations, uma empresa que analisa as receitas cinematográficas. "Do ponto de vista dos resultados das bilheterias, nunca teria acreditado nisso", acrescenta, lembrando o sucesso da trilogia Blade com Wesley Snipes no início dos anos 2000.

"Pantera Negra", uma adaptação das aventuras do primeiro super-herói negro criado pela Marvel em 1966, foi dirigido por Ryan Coogler ("Creed") e traz Chadwick Boseman ("42 - A história de uma lenda"). O filme, o primeiro do universo cinematográfico Marvel a se concentrar em um justiceiro negro, conta a história do luta do rei T'Challa para defender sua nação Wakanda, a mais avançada do universo Marvel.

A Disney, empresa-mãe da editora/estúdio, explicou que espera um boca-a-boca "particularmente forte", de modo que as vendas de ingressos não hesitem. "Pantera Negra", o filme Marvel melhor colocado no Rotten Tomatoes, com uma pontuação de 96%, esmagou o recorde anterior de bilheteria para o feriado do President Day. Recebeu um orçamento faraônico, destinado a sua produção e promoção: US$ 350 milhões.

E agora ? Agora que sabem que os filmes com protagonistas negros podem interessar a um público branco em todo o mundo e ser lucrativo, os grandes produtores de Hollywood poderão dar as chaves dos estúdios mais frequentemente para diretores negros. "Da mesma forma que 'Uma Linda Mulher' quebrou o teto de vidro e mostrou que as mulheres podiam arrassar nas bilheterias, 'Pantera Negra' deve provar que os negros americanos podem liderar os blockbusters com grandes produções", diz Jeff Bock.

O exemplo consagrado até agora citado é o da franquia "Madea", de Tyler Perry: mais de meio bilhão arrecadado com oito filmes desde 2005, mas com apenas 1% de receita dos mercados europeus.

Para o crítico Eric Kohn, "Pantera Negra" dá continuidade às produções de sucesso realizadas recentemente por americanos negros como "Moonlight: Sob a luz do Luar", "Remédio para a Melancolia", "Cara gente branca" ou "Corra!", que concorre este ano ao Oscar. "De certa forma, é a conquista em grande escala de todos esses elementos cinematográficos americanos", disse ele no podcast da IndieWire's Screen Talk. "Obviamente, haverá várias sequências e o filme permanecerá no ar nos próximos anos. A questão agora é o que mais podemos esperar".

O próximo filme Disney a capitalizar o sucesso de "Pantera Negra" é "Uma dobra no tempo", dirigido por Ava DuVernay ("Selma"), a primeira mulher negra a dirigir um blockbuster de mais de US$ 100 milhões. Em destaque, principalmente atores não-brancos: Oprah Winfrey, Mindy Kaling, Storm Reid, Gugu Mbatha-Raw e Michael Pena.

"Este filme não é necessariamente visto como tendo a mesma abordagem em termos de representação como 'Pantera Negra'. Será que permitiremos que este assunto seja abordado em outros filmes que além deste?", questiona Eric Kohn. "Podemos pensar que sim, porque obviamente vale a pena. Mas ainda existe essa desconexão em nossa indústria. Se ignorarmos os exemplos óbvios - os filmes - vemos que aqueles que controlam os estúdios continuam sendo os brancos", conclui.

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