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Proteger a Antártida, o novo papel da vida de Javier Bardem

Christian Aslund/AFP Photo/Greenpeace
O ator Javier Bardem em visita à Antártida Imagem: Christian Aslund/AFP Photo/Greenpeace

De Berlim (Alemanha)

20/02/2018 14h09

Javier Bardem entrou em uma diminuta cápsula submarina e desceu até as profundezas do Oceano Antártico, mas não estava rodando um filme e sim fazendo uma campanha internacional que defende que a zona seja declarada um santuário marinho.

O ator espanhol partiu em janeiro de Punta Arenas (Chile) a bordo do Arctic Sunrise, o barco quebra-gelo do Greenpeace, embarcando em uma aventura de sete dias em um dos lugares mais recônditos da Terra, como explicou nesta terça-feira em Berlim.

"Embora tenha viajado muito, nunca havia visto nada parecido. O trabalho da natureza supera tudo", afirmou ao apresentar, junto com membros do Greenpeace, a campanha para proteger uma área de 1,8 milhão de quilômetros quadrados entre a Antártida e Argentina.

A Comissão do Oceano Antártico se reunirá em outubro para discutir a proposta da União Europeia, inicialmente promovida pela Alemanha, para proteger a biodiversidade da área criando um santuário marinho, que se tornaria o maior do mundo.

Christian Aslund/AFP Photo/Greenpeace
O ator em espanhol em passeio submerso Imagem: Christian Aslund/AFP Photo/Greenpeace

Um 'pirata' pouco afeito ao mar

Além de ceder seu à campanha que em um mês reuniu na internet um milhão de assinaturas, Bardem está produzindo um documentário, "Santuario", sobre sua expedição, junto com o diretor Alvaro Longoria, que ganhou um Goya em 2013 por "Filhos das Nuvens: A Última Colônia", sobre o Saara Ocidental.

O ator "Piratas do Caribe" brincou sobre seu instinto marinho. "Não é o mesmo quando você está em um barco de verdade. Os marinheiros apontavam para mim rindo, porque eu não parava de vomitar", contou.

Bardem faz parte do pequeno grupo de cerca de 50 pessoas no mundo que subiram a bordo de um submarino científico de dois lugares para explorar as profundezas nesta área localizada no Mar de Weddell, perto da Península Antártica.

A 270 metros abaixo da superfície do mar, o ator vencedor do Oscar disse que não sentiu nenhuma pressão. "Cheguei a quase adormecer. Pensei que talvez não tivesse oxigênio suficiente, mas a realidade era que eu estava completamente relaxado diante dessa paisagem de uma escuridão total".

Seu envolvimento na campanha, explicou ele, responde ao interesse de qualquer cidadão. "Eu vou completar 49 anos, tenho dois filhos (com a atriz Penélope Cruz) e não podemos deixar esse mundo morrer, você não precisa ser cientista para entender isso".

Christian Aslund/AFP Photo/Greenpeace
Javier Bardem (à direita) posa com o irmão, o também ator Carlos Bardem, em base Greenpeace no Ártico Imagem: Christian Aslund/AFP Photo/Greenpeace

Contracorrente de Trump

"Precisamos de líderes políticos que façam a diferença, que nos guiem", reclamou.

Bardem considerou, por outro lado, que a obstinação de Donald Trump, que lidera a maior potência mundial, em negar a existência das mudanças climáticas, tem seu lado positivo: "O fato de que ele é contra, faz com que mais pessoas se juntem a causa", disse ele.

"Se você vê que [Trump] está fazendo algo, faça o contrário e você estará certo", insistiu.

De acordo com o Greenpeace, pelo menos 30% das águas internacionais deveriam ser protegidas da atividade humana e declaradas santuários marinhos, em comparação com os atuais 1%.

Para a ONG, que realiza uma missão de três meses nesta área do Oceano Antártico para estudar os ecossistemas, a pesca representa um sério risco, especialmente pela captura de krill, um crustáceo planctônico que é o principal alimento das baleias e indispensável para toda a cadeia alimentar.

Sandra Schöttner, membro do Greenpeace, defendeu a importância da campanha para coibir os interesses econômicos não só da indústria pesqueira, já presente na área, mas também "os projetos de mineração e petróleo e gás que preparam alguns governos", disse, sem citá-los.

Schöttner aplaudiu a proposta paralela da Argentina e do Chile para criar uma área marinha protegida (MPA) na zona e apresentou o país como um "bom exemplo para proteger e explorar de forma controlada", referindo-se a suas atividades de pesca.

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