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Cosplays, orgulho e representatividade: uma sessão de "Pantera Negra" no Quênia

AFP PHOTO / Yasuyoshi CHIBA
Quenianos vão de cosplays à pré-estreia de "Pantera Negra" em Nairobi Imagem: AFP PHOTO / Yasuyoshi CHIBA

16/02/2018 10h12

Do Quênia à Nigéria, a estreia do filme "Pantera Negra" esta semana está provocando entusiasmo entre os espectadores africanos e o sentimento de que Hollywood finalmente preencheu uma lacuna.

Pantera Negra não é apenas o primeiro super-herói africano da Marvel a ter um filme próprio, ele lidera o reino imaginário de Wakanda, que conseguiu explorar um mineral raro, o vibranium, para virar a nação mais desenvolvida e avançada tecnologicamente do mundo.

Motivos suficientes para orgulho, como afirmou em uma entrevista recente uma das atrizes do elenco, a vencedora do Oscar Lupita Nyong'o.

Centenas de fãs compareceram na terça-feira (13) à noite à pré-estreia do filme em Kisumu, cidade da família de Lupita Nyong'o, no oeste do Quênia.

A emoção se misturava à esperança de que o filme cumprisse todas as suas promessas, como se "Pantera Negra" fosse uma aposta ao estilo 'tudo ou nada' para mudar de vez por todas a representação dos africanos no cinema hollywoodiano, longe do tema pobreza.

"É uma declaração muito importante para o mundo que o estúdio Marvel pode fazer um filme totalmente baseado em personagens africanos. Isto é muito bom, vai nos afastar de alguns estereótipos sobre os africanos", celebrou o ator queniano Moses Odua, de 41 anos.

AFP PHOTO / Yasuyoshi Chiba
O reino de Wakanda é aqui: Sessão de "Pantera Negra" em Nairobi, no Quênia Imagem: AFP PHOTO / Yasuyoshi Chiba
Além do filme

"Enquanto assistia o filme com meus amigos, senti que vivia um momento histórico. Vai muito além do filme. Isto é imenso", disse Brian Barasa, queniano de 29 anos que teve a sorte de ver o longa-metragem antes do resto do mundo, em uma exibição privada com amigos.

O diretor do filme, o afro-americano Ryan Coogler, e os atores, em sua maioria africanos, estavam conscientes de sua responsabilidade, como explicou Sope  Aluko, uma das cinco nigerianas do elenco.

"Quando rodávamos, sabíamos de nossa responsabilidade com a África e com a comunidade negra em geral. Mas não esperava isto nem de longe, todo o entusiasmo da comunidade negra", declarou à AFP a atriz durante a pré-estreia em Lagos.

Na realidade, T'Challa, o rei da nação imaginária de Wakanda, não é o primeiro super-herói negro do universo Marvel que chega aos cinemas, recorda Brian Barasa, cofundador do Nairobi Comic Convention, um festival anual que acontece desde 2014.

Ele recorda o personagem Blade, interpretado por Wesley Snipes, que protagonizou uma trilogia entre 1998 e 2004.

"Mas Blade era americano", explica Brian.

"Afrofuturista"

Os fãs entrevistados no Quênia e Nigéria ficaram satisfeitos com a superprodução por sua qualidade visual, o cuidado com o figurino, a trilha sonora e os sotaques.

"Normalmente, em Hollywood, você é apenas africano. Recorrem a um ator nigeriano com sotaque nigeriano para um personagem queniano", destaca Sope  Aluko.

"Gostei da descrição afrofuturista do continente e da mistura de modernidade e tradição", disse Chiko  Esire, um nigeriano de 32 anos, em Lagos.

"Não sou cinéfilo, mas este filme me interessa porque tenta demonstrar que um filme com um elenco de maioria negra pode vender e ir bem no mundo todo", afirmou James Odede, de 27 anos.

"Pantera Negra" já superou grandes sucessos de bilheteria como "Jogos Vorazes" e "A Bela e a Fera" na venda antecipada de ingressos nos Estados Unidos.

À espera da avaliação do público, o filme já ganhou a aposta de "apresentar a cultura africana de um ponto de vista positivo", resume Jinna  Mutun, diretora queniana de 29 amos.

"Pantera Negra preenche uma lacuna enorme, mas não tenho certeza de que apenas um filme é suficiente. Precisamos de outros 'Panteras Negras', mais e mais", opina a cineasta.

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