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Debate sobre #MeToo se impõe na abertura da Berlinale

Pascal Le Segretain/Getty Images
Abertura do Festival de Berlim 2018 Imagem: Pascal Le Segretain/Getty Images

Em Berlim

15/02/2018 19h28

Estrelas do cinema e militantes aproveitaram nesta quinta-feira (15) a abertura do Festival de Cinema de Berlim para apoiar a campanha #MeToo contra o assédio sexual no setor.

As repercussões do escândalo do produtor americano Harvey Weinstein dominaram a cerimônia de abertura, que começou com a apresentação de "Ilha dos Cachorros", segundo filme de animação do americano Wes Anderson.

Uma petição na Internet para que o festival colocasse um tapete preto ao invés do tradicional vermelho em solidariedade com as vítimas de abusos sexuais recolheu 21 mil assinaturas.

O tapete foi vermelho, mas algumas estrelas optaram por ir vestidas de preto, como na cerimônia do Globo de Ouro em Hollywood.

A atriz alemã Anna Brueggemann lançou no Twitter a hashtag #NobodysDoll (#BonecadeNiguém) para estimular as estrelas a trocarem os tradicionais saltos altos e vestidos curtos por uma "roupa mais confortável".

No entanto, o chamado teve pouco eco. Conhecida por seu look andrógeno, a atriz Tilda Swinton optou por um smoking.

O ator americano Bryan  Cranston, um dos atores junto com Swinton que empresta sua voz para o filme de Anderson, se manifestou "muito otimista" com a campanha #MeToo. "Talvez estejamos no alvorecer de uma nova sociedade", declarou à AFP.

"Ilha dos Cachorros" narra as aventuras de um menino, Atari, que busca seu fiel companheiro Spots, colocado em quarentena e uma ilha japonesa devido a uma epidemia de gripe canina.

É a quarta vez que Wes Anderson está na disputa pelo Urso de Ouro, que será concedido em 24 de fevereiro pelo júri composto, entre outros, pela atriz belga Cecile de France, pelo historiador de cinema espanhol Chema Prado e pela produtora americana Adele Romanski.

Acusações contra cineasta coreano

Primeiro festival europeu desde a explosão do escândalo sobre Weinstein, que desencadeou uma onda de denúncias contra outras personalidades do cinema, a Berlinale havia adiantado que trabalhará para promover a igualdade e o respeito às mulheres na indústria.

Nesta quinta-feira, o diretor alemão Tom Tykwer, presidente de um júri paritário que escolherá entre 19 produções o próximo Urso de Ouro, pediu que o debate "não seja alimentado de forma artificial (pelos meios sensacionalistas), nem tampouco calado por ninguém".

O diretor do festival, Dieter Kosslick, anunciou que descartou filmes que tinham diretores, atores ou pessoas ligadas à produção que fossem alvos de acusações confiáveis de abusos sexuais.

Mas na véspera do início do festival, uma atriz sul-coreana, que pediu anonimato, criticou a Berlinale por ter convidado o cineasta Kim Ki-Duk e seu filme "Human, Space, Time, and Human". Ela acusou o diretor de agressão e de tê-la obrigado a rodar cenas de sexo improvisadas quando trabalhava em um de seus filmes.

Kosslick explicou à AFP que não vetou Kim porque algumas acusações de assédio sexual apresentadas pela mesma atriz contra o cineasta foram rejeitadas por falta de provas, acrescentando que estava à espera de mais informações.

Nesta quinta-feira, mais de 100 associações sul-coreanas de grupos civis publicaram um comunicado no qual denunciaram uma "realidade injusta, em que o assediador está trabalhando e sendo recebido em todas as partes como se não houvesse nada, enquanto a vítima (...) está sendo isolada e marginalizada".

Dois filmes latino-americanos na disputa

Em Berlim serão apresentados cerca de 400 filmes ao longo de 11 dias.

O mexicano Alonso Ruizpalacios ("Güeros") concorre com "Museo", protagonizado por Gael García Bernal e Leonardo Ortizgris, sobre o espetacular assalto ao Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México executado por dois estudantes em 1985.

"Las herederas", primeiro longa-metragem do paraguaio Marcelo Martinessi, conta a história de um casal de mulheres que enfrenta dificuldades econômicas.

Gus van Sant apresentará "Don't worry, he won't get far on foot", no qual Joaquin Phoenix vive um tetraplégico alcoólatra.

"Damsel", apresentado como um faroeste feminista, será protagonizado por Robert Pattinson e Mia Wasikowska.

Fora da competição, o brasileiro José Padilha apresentará "7 dias em Entebbe", uma coprodução americana e britânica sobre a operação israelense para libertar os reféns de um avião sequestrado pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP) em 1976.

Também destaca-se a produção da espanhola Isabel Coixet "La librería", que neste mês levou três Prêmios Goya; e "Viaje a los pueblos fumigados", do argentino Fernando Solanas, que denuncia os efeitos nefastos da indústria agrícola no meio ambiente e na saúde.

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