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Última noite de folia no Sambódromo do Rio de Janeiro

13/02/2018 04h42

Rio de Janeiro, 13 Fev 2018 (AFP) - As escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro faziam vibrar o Sambódromo com uma profusão de decibéis e purpurina, encerrando um Carnaval bastante politizado.

A primeira escola a entrar na Sapucaí foi a Unidos da Tijuca, seguida por Portela, União da Ilha, Salgueiro, Imperatriz e Beija-Flor.

A Portela, campeã no ano passado junto com a Mocidade, eletrizou as arquibancadas com carros alegóricos representando Nova York.

Como no dia anterior, cada escola de samba desfilou por uma hora e 15 minutos com 3.000 integrantes, ao som de suas baterias, diante de 72 mil espectadores.

Entre as seis últimas escolas de samba que desfilaram esta noite, destaque para a Beija-Flor, que marcou sua apresentação pela contestação.

Ela escolheu retratar um Brasil vítima dos "monstros" da corrupção, com suas malas de dinheiro circulando e seus políticos e empreiteiros jogados na prisão. Trouxe um rato gigante, uma alegoria dos políticos brasileiros, mergulhados até o pescoço em escândalos de corrupção.

O desfile da Beija-Flor - que vai encerrar a festa - também gerou grande expectativa devido à participação da famosa drag queen Pabllo Vittar, carregando a bandeira da denúncia da intolerância sexual.

Sua experiência na Passarela do Samba na noite anterior a emocionou. "Estou realizando um sonho. Estou muito emocionada", declarou a artista.

Se os foliões do Carnaval do Rio podem esquecer momentaneamente a violência incontrolável e a crise que deixou 12 milhões de desempregados no país, a festa é uma oportunidade para expressar seu descontentamento com seus líderes.

Assim, as escolas da primeira noite de desfiles do Grupo Especial trouxeram o presidente Michel Temer, encarnado por um vampiro corrupto, e o prefeito Marcelo Crivella representado por um boneco de Judas.

Crivella foi um dos alvos principais, criticado por cortar pela metade a verba destinada às escolas de samba.

Ontem, o prefeito publicou um vídeo no Facebook anunciando que, naquela mesma noite, viajaria para a Europa, confirmando que, assim como no ano passado, não assistiria a nenhum desfile na cidade.

Já o desfile da Mangueira, que aconteceu de madrugada, teve o tema "Com dinheiro ou sem dinheiro eu brinco", e proclamou, provocante: "Pecado é não brincar o carnaval!".

Sobre um de seus carros aparecia um boneco de Crivella como o Judas que é malhado no Sábado de Aleluia.

Outro carro exibia uma representação do Cristo Redentor com um cartaz em que se lia "O prefeito não sabe o que faz" - uma referência ao Cristo proibido no histórico desfile de 1989 da Beija-Flor, do carnavalesco Joãosinho Trinta.

"É a nossa resposta para este prefeito que corta o nosso orçamento e tenta acabar com a nossa felicidade", explicou à AFP Helton Dias, um dos componentes da Mangueira.

O prefeito do Rio não foi o único a ser criticado. A escola Paraíso do Tuiuti mirou diretamente na presidência do país.

"Sou um vampiro que representa o presidente da república", explicou o professor de história Léo Morais, 39, que tinha o rosto pintado de branco para encarnar a versão carnavalesca de Michel Temer, que enfrenta acusações de corrupção.

O protesto "é um caminho que as escolas retomam, porque têm um papel social: reivindicar a voz das pessoas mais pobres", disse Morais à AFP.

No ano passado, o carnaval carioca coroou duas escolas, que terminaram empatadas: Portela e Mocidade Independente de Padre Miguel. As normas de segurança foram reforçadas este ano, e os motoristas dos carros alegóricos tiveram que submeter, pela primeira vez, a testes para detectar o teor de álcool no sangue.

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