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Carnaval carioca mistura política e glamour na Sapucaí

12/02/2018 12h05

Rio de Janeiro, 12 Fev 2018 (AFP) - O presidente Michel Temer, encarnado por um vampiro corrupto, e o prefeito Marcelo Crivella representado por um boneco de Judas: a primeira noite de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro aconteceu sob a forma de protesto.

Na noite deste domingo, as mais de 72 mil pessoas presentes na Marquês de Sapucaí vibraram sob um calor intenso, ao ritmo da bateria das sete escolas que se apresentaram.

Mais além das fantasias e da sensualidade exacerbada, o "maior espetáculo da Terra" encarnou também o protesto de uma população cansada da violência e corrupção.

Embora o carnaval seja um período destinado a esquecer os problemas cotidianos, algumas escolas de samba aproveitaram para enviar mensagens políticas.

Um dos alvos principais foi o prefeito evangélico do Rio, Marcelo Crivella, que gerou críticas ao cortar pela metade a verba destinada às escolas de samba.

Ontem, Crivella publicou um vídeo no Facebook anunciando que, naquela mesma noite, viajaria para a Europa, confirmando que, assim como no ano passado, não assistiria a nenhum desfile na cidade.

- Crivella no papel de JudasSete das 13 escolas do Grupo Especial desfilaram na noite deste domingo, e outras seis o farão nesta segunda-feira, até o amanhecer. A primeira a desfilar, Império Serrano, abusou da criatividade com uma homenagem à China, expressando sua admiração pela cultura milenar que se tornou uma nação líder no século XXI.

Já o desfile da Mangueira, que aconteceu de madrugada, teve o tema "Com dinheiro ou sem dinheiro eu brinco", e proclamou, provocante: "Pecado é não brincar o carnaval!".

Sobre um de seus carros aparecia um boneco de Crivella como o Judas que é malhado no Sábado de Aleluia.

Outro carro exibia uma representação do Cristo Redentor com um cartaz em que se lia "O prefeito não sabe o que faz".

"É a nossa resposta para este prefeito que corta o nosso orçamento e tenta acabar com a nossa felicidade", explicou à AFP Helton Dias, um dos componentes da Mangueira.

O prefeito do Rio não foi o único a ser criticado. A escola Paraíso do Tuiuti mirou diretamente na presidência do país.

"Sou um vampiro que representa o presidente da república", explicou o professor de história Léo Morais, 39, que tinha o rosto pintado de branco para encarnar a versão carnavalesca de Michel Temer, que enfrenta acusações graves de corrupção.

O protesto "é um caminho que as escolas retomam, porque têm um papel social: reivindicar a voz das pessoas mais pobres", disse Morais à AFP.

No ano passado, o carnaval carioca coroou duas escolas, que terminaram empatadas: Portela e Mocidade Independente de Padre Miguel. As normas de segurança foram reforçadas este ano, e os motoristas dos carros alegóricos tiveram que submeter, pela primeira vez, a testes para detectar o teor de álcool no sangue.

"É uma boa ideia. Assim, estaremos seguros de que os motoristas não vão ter bebido", aprovou Felipe Gomes, que comandava um carro da Vila Isabel representando um carrosel futurista gigante.

O espetáculo no sambódromo continua na noite desta segunda-feira, com o desfile de outras seis escolas. A Beija-Flor anuncia um enredo inspirado em "Frankenstein", "com reflexões sobre desgraças como a corrupção, violência e intolerância".

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