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Mianmar desmente investigação da imprensa sobre massacre de rohingyas

03/02/2018 12h37

Yangon, 3 Fev 2018 (AFP) - O governo birmanês desmentiu neste sábado (3) as informações da agência Associated Press (AP) baseadas em depoimentos de refugiados rohingyas sobre um massacre e a existência de cinco valas comuns em um povoado do estado de Rakain.

O regime se limitou a afirmar que neste lugar "19 terroristas foram mortos e enterrados".

Baseando-se em declarações de dezenas de refugiados e vídeos gravados com telefones celulares, a investigação da AP mostra que, no povoado de Gu Dar Pyin, foi realizada uma matança de muçulmanos rohingyas e que os cadáveres se encontram em cinco valas comuns ainda sem localização divulgada.

A investigação, cuja exatidão a AFP não pôde verificar de maneira independente, descreve atrocidades cometidas por militares e membros de grupos budistas, que atacaram os moradores do povoado com fuzis, facões, lançadores de foguetes e granadas antes de jogar seus corpos nas valas e encharcá-los com ácido.

Imagens feitas via satélite mostram um povoado completamente arrasado e, segundo a agência de notícias americana, rohingyas refugiados em campos de Bangladesh afirmaram que cerca de 400 pessoas foram massacradas neste ataque.

As autoridades birmanesas desmentiram estas informações.

Uma equipe de inspetores governamentais "investigou sistematicamente as informações da AP sobre o caso do povoado de Gu Dar Pyin, inclusive interrogando seus moradores, e estabeleceu que não são verdadeiras", afirmou neste sábado o Comitê de Informação do governo em sua página do Facebook.

- Dezenove mortos -O Comitê explicou que em 28 de agosto explodiram enfrentamentos entre as forças de segurança e militantes rohingyas nesta localidade. "Encontraram 19 terroristas mortos (e seus corpos foram enterrados", garantiu, sem apontar a localização das sepulturas.

Cerca de 690.000 muçulmanos rohingyas que viviam no oeste de Mianmar se refugiaram na vizinha Bangladesh desde o final de agosto.

Eles acusam o exército birmanês e as milícias budistas de violações, torturas e assassinatos. O exército nega as acusações e afirma ter atuado apenas contra rebeldes rohingyas. No entanto, impede que os meios de comunicação e os investigadores da ONU visitem a zona de conflito.

Estas restrições tornam difícil, para os jornalistas e as organizações internacionais, comprovar os depoimentos chocantes dos refugiados rohingyas em Bangladesh.

As Nações Unidas usou o termo "limpeza étnica" e o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, mencionou a possibilidade de um genocídio.

Um porta-voz do secretário-geral da ONU se declarou nesta semana muito preocupado com as informações sobre as fossas comuns que "reforçam a necessidade de que as Nações Unidas tenham acesso ao estado de Rakain".

Dois jornalistas birmaneses da agência de notícias Reuters, Wa Lone y Kyaw Soe Oo, foram detidos no dia 12 de dezembro enquanto investigavam sobre a repressão do exército birmanês em Raikan. Indiciados por violar o "segredo de Estado", podem ser condenados a até 14 anos de prisão. No dia 1o de fevereiro, um tribunal de Yangun recusou o pagamento de fiança para deixá-los em liberdade.

Em janeiro, o exército birmanês admitiu que quatro de seus soldados haviam matado a sangue frio dez presos rohingyas no dia 2 de setembro e enterrado seus corpos em uma fossa comum. Foi o primeiro reconhecimento público de violações dos direitos humanos após meses de negociação da crise.

A ONG Médicos Sem Fronteiras considera que pelo menos 6.700 rohingyas morreram apenas no primeiro mês de intervenção militar em Rakain. Para o exército, o balanço oficial do conflito é de 400 mortos.

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