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Modelos africanas sonham com o sucesso nas passarelas

19/01/2018 11h35

Abidjan, 19 Jan 2018 (AFP) - "Vamos! É preciso olha para a frente. Avançar a perna!", ordena o coreógrafo Franck Akesse durante um curso de desfile da agência de uma top model marfinense frequentado por homens e mulheres que sonham com o sucesso.

Os aprendizes pagam 15.000 francos CFA (23 euros, 28 dólares) mensais por esta formação de seis meses com a esperança de um dia viver disso.

"Desde pequena eu sempre quis ser modelo", afirma Kelly Godo, estudante de direito de 21 anos. "Eu adoraria me tornar uma nova Naomi Campbell ou Awa Sanoko (modelo marfinense ganhadora do Miss Model of the World 2015)".

Os modelos africanos têm o vento a seu favor. A sudanesa Alek Wek, a etíope Liya Kebede e a angolense Maria Borges dominam as capas de revistas e desfilam para grandes nomes da moda.

Em 2017, pela primeira vez na história, um quarto dos modelos contratados para os desfiles de primavera em Nova York, Paris, Londres e Milão não eram brancos (25,4%), segundo um relatório do site especializado The Fashion Spot. Destes modelos, 10,3% eram negros e 7% asiáticos.

Em 2016, três das 20 supermodelos mais bem pagas do mundo não eram brancas.

"É preciso aprender e trabalhar, mas espero que funcione", diz Kelly Godo, que conta com o apoio da sua família.

- Expansão -Apesar da ausência de dados concretos, os profissionais do setor são otimistas. O ofício se encontra em "plena expansão", os modelos africanos "se exportam" bem e também há muito trabalho dentro do continente.

As capitais africanas se tornaram pontos de encontro no mundo da moda, com "Fashion week" e desfiles internacionais em Abidjan, Lagos, Nairóbi, Dakar, Cidade do Cabo, Iaundé, Joanesburgo, Acra... E um canal, o Fashion Africa TV, dedicado aos desfiles no continente.

"A moda pesa na economia e aqui não temos nada que invejar ao Ocidente, podemos fazer de tudo", afirma o estilista Reda Fawaz, que afirma que quase 300.000 pessoas trabalham nesse setor na Costa do Marfim.

"Os modelos estão integrados no sistema, para desfiles, publicidade (...) Nós tentamos valorizá-los. E podem viver de seu trabalho", assegura.

- Diversidade -O crescimento da moda na África provocou uma demanda de mulheres com mais curvas.

"Alguns criadores estimam que as modelos que fomentam as ventas são aquelas que correspondem com as normas de sua clientela", explica a top model marfinense Fatim Sidimé, que montou uma agência de comunicação e modelos. "A mulher africana em geral é muito curvilínea".

Independentemente da cor da pele, "para os desfiles de alta costura se inclinam por modelos filiformes, altas e magras", afirma Fatim.

Mas "é preciso promover a diversidade: é uma terra multicolor, está fora de lugar marginalizar uma cor de pele", aponta.

Os salários variam. Uma modelo reconhecida pode cobrar entre 100.000 e 200.000 francos CFA (150-300 euros, 183-365 dólares) por estilista em cada desfile.

Mas o ofício na África nem sempre é bem remunerado.

Embora as marcas e os estilistas sejam disputados, o marfinense Jean-Paul Daffot não pode viver só de moda, e trabalha como diretor geral de uma companhia de construção. Daffot insiste na concorrência dos amadores e das redes sociais que, segundo ele, puxam os salários para baixo.

- "Por nada ou promessas' - Mandjalia Gbané, Miss Costa do Marfim 2017, pode se dar ao luxo de passar um ano sem desfilar. Mas "há muitos problemas" e "salvo com alguns costureiros ou as grandes marcas, às vezes demoram para nos pagar. Alguns tentam se aproveitar, pagam pouco e puxam os preços para baixo".

Há modelos que desfilam na África por 10 ou 20.000 (15-30 euros, 18-36 dólares), ou até mesmo "por nada ou por promessas", explica uma fonte do setor. Fatim acredita no futuro, mas com a condição de que "se estruture a profissão".

Aos seus 18 anos, Gnimimeto Koné sobressai nas passarelas e, embora não pretenda parar os estudos, quer viver da moda. "Espero ser uma grande modelo internacional, se recebo uma ligação...".

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