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Morre o escritor israelense Aharon Appelfeld, ícone da literatura judia

 Philippe Merle/AFP
Aharon Appelfeld, escritor israelense Imagem: Philippe Merle/AFP

04/01/2018 09h04

O escritor israelense Aharon  Appelfeld, uma das vozes mais importantes da literatura judia e sobrevivente do Holocausto, morreu na noite de quarta-feira, aos 85 anos. A sua obra, dedicada em grande parte à vida dos judeus na Europa antes e durante o Holocausto, foi traduzida para vários idiomas.

Aharon  Appelfeld nasceu em 1932, em uma localidade perto de Czernowitz, uma cidade romena que hoje se localiza na Ucrânia. A sua mãe foi assassinada pelos nazistas e ele foi deportado com seu pai para um campo de concentração. Escapou em 1942 e sobreviveu em uma floresta, adotado por um bando de criminosos ucranianos.

Recolhido posteriormente pelos soviéticos, trabalhou como ajudante de cozinha durante meses para o Exército Vermelho. Em 1946, imigrou para a Palestina quando estava sob mandato britânico. "Ninguém queria órfãos na Europa. O único lugar para o qual se podia ir era a Palestina", contou, em uma entrevista à AFP em 2010.

Em Israel, em 1957, Aharon  Appelfeld se reencontrou com o pai, que também sobreviveu à barbárie nazista. Seu primeiro livro, "Ashan" ("Fumaça"), foi publicado em 1962 e seguiram-se mais de 40 obras. Em sua autobiografia, "História de uma vida" (1999), conta como sobreviveu ao Holocausto. O escritor recebeu prêmios em todo o mundo, como o Prêmio Israel em 1983 e o Prêmio Medicis francês, em 2004.

Aharon  Appelfeld rejeitava o apelido de "Escritor do Holocausto", apesar de ter dado uma voz aos que não sobreviveram. "Não se pode ser um escritor da morte. A escrita supõe que a pessoa esteja viva", afirmou.

Era amigo do escritor americano Philip Roth, que o converteu em personagem de seu romance "Operação Shylock".

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