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Bitcoin supera barreira dos US$ 11 mil e gera temor de bolha

29/11/2017 18h58

Nova York, 29 Nov 2017 (AFP) - A moeda virtual Bitcoin superou nesta quarta-feira (29) os 11.000 dólares a unidade, mantendo sua espetacular escalada, que multiplicou por dez seu valor em um ano, mas também gera o temor de uma bollha.

Comprado e vendido em plataformas especiais na Internet, o Bitcoin subiu até 11.434 dólares por unidade para depois cair abruptamente a 9.643 por volta das 19h30 GMT (15h30 de Brasília) - uma baixa de 15% em questão de horas.

Em meados de outubro, a moeda criptografada era negociada a 5.000 dólares, menos da metade do valor alcançado nesta quarta-feira. Uma alta espetacular, levando-se em conta que começou o ano em torno dos 1.000 dólares, antes de cair como costuma acontecer.

O Bitcoin ganhou força no mês passado, quando o grupo americano CMW, um dos mais poderosos agentes bursáteis do mundo, anunciou o lançamento de contratos nesta moeda no mercado futuro.

Este anúncio disparou seu valor, devido a que a quantidade de Bitcoins em circulação é limitada. Sua capitalização total chegou a 180 bilhões de dólares, segundo um site especializado em capitalizações de criptomoedas em bolsa.

Para termos comparativos, a Coca Cola tem um valor estimado em 195 bilhões de dólares.

Por enquanto, o Bitcoin continuará subindo, já que "não se vê no horizonte nenhum fator suscetível de fazê-lo baixar", disse à AFP Shane Chanel, do gabinete ASR Wealth Advisers em Sydney.

Sem existência física, o Bitcoin lançado em 2009, apoia-se em um sistema de pagamento entre pessoas P2P baseado em uma tecnologia denominada "blockchain".

Essa moeda virtual é comprada e vendida em plataformas específicas de Internet e não tem marco jurídico.

Não é regida por um Banco Central, ou por um governo, mas por uma grande comunidade internacional, e é aceita em um número crescente de transações (restaurantes, setor imobiliário, etc.).

De uso polêmico, essa moeda levanta inúmeras críticas, em particular de instituições financeiras, como os bancos, e de governos, porque não podem controlá-la.

- Alternativa ou golpe? -"Isso é uma bolha, e tem muita espuma. Essa vai ser a maior bolha das nossas vidas", advertiu o gerente de "hedge fund" Mike Novogratz durante uma conferência de criptomoedas realizada na terça em Nova York.

Em meados de setembro, o presidente do JPMorgan, Jamie Dimon, afirmou que o Bitcoin é uma "fraude" prestes a explodir.

"É a própria definição de uma bolha", disse recentemente o diretor do Crédit Suisse Tidjane Thiam.

Os altos e baixos do Bitcoin despertam o temor de uma explosão especulativa: em seu lançamento, em fevereiro de 2009, um Bitcoin valia apenas alguns centavos de dólar.

Em setembro, a China proibiu as transações com moedas criptografadas nas plataformas do país, afirmando que queria combater "atividades ilegais" e conter riscos potenciais para seu sistema financeiro.

A decisão chinesa desestabilizou momentaneamente o mercado, mas a cotação retomou rapidamente sua ascensão.

Seus defensores afirmam que o Bitcoin oferece uma alternativa segura às divisas tradicionais: a "blockchain" impediria que as transações sejam falsificadas porque, para modificar uma informação, seria preciso mudá-la simultaneamente entre todos os usuários.

Essa caraterística interessa muito ao setor bancário, onde a "blockchain" poderia abrir novos horizontes, simplificar as transações de títulos desmaterializados e reduzir custos.

O americano CME, um dos maiores operadores financeiros do mundo, anunciou no final de outubro que vai oferecer produtos derivados que permitam especular com o Bitcoin.

Em Wall Street, o banco de negócios Goldman Sachs também contempla especular para seus clientes, declarou à AFP no início de outubro uma fonte próxima à entidade.

Seu concorrente JPMorgan Chase também se declarou "muito aberto" às criptomoedas "controladas e reguladas adequadamente".

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