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Análise: Substituição de Spacey em filme pode ser precedente valioso

Reprodução
Kevin Spacey no filme "Todo o Dinheiro do Mundo", de Ridley Scott Imagem: Reprodução

Da AFP

Em Los Angeles (EUA)

11/11/2017 14h32

Com uma Hollywood abalada pela sequência de denúncias de assédio sexual, os estúdios observam o corte e a substituição de Kevin Spacey de seu último filme como um audacioso, mas arriscado precedente para lidar com esse tipo de escândalo. A Sony e o cineasta Ridley Scott foram elogiados por terem retirado o ator, de 58 anos, de "Todo o Dinheiro do Mundo", mas, com o lançamento previsto para daqui a apenas seis semanas, essa decisão pode resultar cara.

"A Sony pôs as pessoas na frente dos lucros com a sua decisão de retirar Spacey de um filme a apenas semanas de seu lançamento", disse à AFP Jeetendr Sehdev, especialista em Hollywood e autor de vários best-sellers. "O estúdio estabeleceu um novo padrão para Hollywood, e isso é inspirador", acrescentou.

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Spacey será substituído por Christopher Plummer no papel do milionário americano J. Paul Getty, na história sobre o sequestro, em 1973, de seu neto adolescente John Paul Getty III. Conhecido pelo seu papel de 1965 como o Capitão Von Trapp em "A Noviça Rebelde", Plummer, de 87 anos, foi supostamente a primeira opção de Scott, mas este foi pressionado a escolher um nome mais famoso.

Uma mãe de Massachusetts acusou Spacey, nesta semana, de ter abusado sexualmente de seu filho de 18 anos na ilha de Nantucket no ano passado. Spacey também foi acusado de tentar estuprar uma criança de 15 anos em Nova York e de avançar sobre o ator Anthony Rapp décadas atrás, quando este tinha 14 anos.

Sem precedentes

Embora não seja a primeira vez que cineastas se viram obrigados a tomar decisões rápidas de mudanças em elencos, um movimento tão audaz por motivos não criativos em um filme terminado não tem precedentes. A produtora TriStar, da Sony, já retirou o projeto do prestigioso festival de cinema AFI Fest em Los Angeles, mas a equipe de Scott continua trabalhando para cumprir o lançamento previsto de 22 de dezembro.

"Muitas celebridades se comportam mal, mas para o público é especialmente difícil perdoar acusações de agressão sexual infantil. Duvido que veremos um regresso de Spacey", acrescentou Sehdev, autor de "The Kim Kardashian Principle". "Kevin Spacey se tornou tóxico por uma boa razão. As audiências julgam as marcas segundo a rapidez com que agem. Se você valoriza sua reputação, deve se afastar de Spacey imediatamente", opinou.

Se a decisão de retirar Spacey foi simples, a corrida para terminar o filme a tempo da sua data de lançamento original é mais complicada. A Sony e a Imperative Entertainment consideraram adiar o lançamento até 2018, segundo a revista Variety. Mas queriam que o filme estreasse antes da série da FX "Trust", de Danny Boyle, que também aborda o sequestro de Getty e que será lançada em janeiro.

Também se espera que o filme esteja entre os favoritos para a próxima temporada de prêmios, mas precisa chegar aos cinemas no fim do ano para ter uma oportunidade no Oscar.

Embora o engano digital nunca seja simples, a tecnologia está avançada o suficiente para que Plummer possa fazer grande parte de sua atuação contra um fundo verde, que depois seria sobreposta às imagens existentes. Mas entende-se que a melhor opção é voltar a trazer os coprotagonistas Mark Wahlberg e Michelle Williams para que repitam suas cenas junto com o substituto.

Espera-se que os oito dias adicionais requeridos para que Plummer repita as cenas de Spacey custem cerca de 2,5 milhões de dólares, mas o maior prejuízo poderia vir dos novos trailers, cartazes e da pós-produção.

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