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Após uma década, Museu do Louvre chega a Abu Dhabi com 300 obras

Ludovic Marin/Reuters
Museu do Louvre ganhou filial em Abu Dabhi, nos Emirados Árabes Imagem: Ludovic Marin/Reuters

De Abu Dhabi

08/11/2017 19h12

O Louvre de Abu Dhabi foi inaugurado nesta quarta-feira (8), uma década depois do lançamento do projeto, apresentando-se como um "museu universal" com uma mensagem de tolerância.

"Hoje é lançado um monumento cultural mundial: o Louvre de Abu Dhabi reúne ícones da arte que refletem o gênio coletivo da humanidade", disse o príncipe herdeiro emiradense, Mohamed bin Zayed, pouco antes da inauguração oficial.

"Nossas religiões e nossas civilizações têm vínculos indestrutíveis", disse o presidente francês, Emmnuel Macron, que compareceu à cerimônia.

"Os que querem fazer acreditar, em qualquer parte do mundo, que o Islã se constrói destruindo as outras religiões monoteístas são mentirosos e traidores", acrescentou Macron.

O dirigente de Abu Dhabi, Macron e sua esposa visitaram as imensas salas brancas do museu, por onde passaram também o rei Mohamed VI do Marrocos, o presidente afegão, Ashraf Ghani, e o arquiteto do edifício, Jean Nouvel.

O museu, situado na ilha de Saadiyat, abrirá suas portas ao público no sábado, com festividades que irão até 14 de novembro.

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O presidente francês Emmanuel Macron e a primeira-dama, Brigitte Macron na abertura do museu Imagem: Ludovic Marin/Reuters

Inspirado nas medinas árabes

A arquitetura do novo Louvre é inspirada nas medinas árabes, com um conjunto de 55 edifícios brancos.

Os visitantes poderão caminhar por espaços com vista para o mar ou debaixo de uma cúpula de 180 metros de diâmetro, composta por 7.850 estrelas de metal, que filtra os raios de sol, criando o que Jean Nouvel chama de uma "chuva de luz".

Jean-Luc Martinez, presidente do Louvre em Paris, que viajou a Abu Dhabi para a inauguração, explicou que o museu foi concebido "para se abrir aos demais" e "entender a diversidade" em "um mundo multipolar".

O Louvre de Abu Dhabi é "um museu universal, o primeiro do mundo árabe", declarou.

Diferentemente dos outros museus, cujos percursos propõem uma classificação por estilos ou civilizações, este expõe os temas universais e as influências comuns entre as culturas, da pré-história até os dias de hoje.

Na mesma sala se poderá ver, por exemplo, uma folha do Alcorão Azul, realizado no século IX, uma torá iemenita de 1498 e dois volumes de uma bíblia gótica do século XIII.

Mas a estrela do museu, segundo seus promotores, é "La belle ferronnière", um quadro de Leonardo da Vinci emprestado pelo Louvre de Paris.

No total, 13 museus franceses colaborarão com o novo museu, contribuindo com sua experiência e com o empréstimo de cerca de 300 obras, incluindo um autorretrato de Vincent van Gogh.

Ludovic Marin/AFP
Museu tem projeto arquitetônico do francês Jean Nouvel Imagem: Ludovic Marin/AFP

Acordo bilionário

O novo museu é fruto de um acordo intergovernamental assinado em 2007 entre Paris e Abu Dhabi, que estará vigente por 30 anos.

O contrato, que inclui poder usar a marca do Louvre e a organização de exposições temporárias, alcança um bilhão de euros, sem contar o custo da construção do museu nos Emirados, que não foi revelado.

A coleção permanente dos Emirados contará com cerca de 600 obras, das quais 235 estarão expostas na abertura.

Foram tomadas medidas excepcionais para garantir a segurança e a conservação das obras de arte, em um país onde as temperaturas ultrapassam 40ºC no verão.

O projeto gerou polêmica na França, onde algumas vozes se indignaram ante o aspecto "mercantil" da operação e a "venda da marca" Louvre.

Várias ONGs, como a Human Rights Watch, se mostraram preocupadas com as condições dos trabalhadores imigrantes nas obras.

O Louvre de Abu Dhabi, cuja abertura foi adiada várias vezes por problemas de financiamento, é o primeiro de três museus a abrir suas portas no distrito cultural de Saadiyat.

Deverão segui-lo o Guggenheim, concebido pelo arquiteto canadense Frank Gehry, e o Zayed National Museum, pelo britânico Norman Foster.

A construção do Guggenheim também está atrasada e se tornou um projeto menos ambicioso, em um contexto de incerteza nos Emirados, devido à queda dos preços do petróleo, sua maior fonte de rendimentos.

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