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Ingerência russa nos EUA: gigantes da Internet prometem lutar contra notícias falsas

31/10/2017 21h59

Washington, 31 Out 2017 (AFP) - Os gigantes da Internet se comprometeram nesta terça-feira (31) no Congresso dos Estados Unidos a combater as operações de notícias falsas em suas plataformas, ao revelar a ação orquestrada pela Rússia para interferir nas eleições que levaram Donald Trump à presidência.

Um dia depois dos primeiros indiciamentos em uma investigação americana sobre a trama russa, Google, Facebook e Twitter garantiram a senadores que tomarão medidas enérgicas contra as operações de desinformação, propaganda e provocação.

Em seus testemunhos, mostraram que milhões de americanos foram expostos a informação falsa gerada pela Rússia, segundo analistas para provocar discórdia na sociedade americana e promover a candidatura de Trump contra a sua rival Hillary Clinton.

"Estamos profundamente preocupados por todas essas ameaças", disse um executivo do Facebook, Colin Stretch, à subcomissão Judicial do Senado.

"Que atores estrangeiros, escondidos por trás de contas falsas, abusem de nossa plataforma e outros serviços de Internet para tentar semear divisão e discórdia, e para tentar minar nosso processo eleitoral, é um ataque à democracia e viola todos os nossos valores", afirmou.

Essa revelação é feita após as primeiras acusações na segunda-feira pelo procurador especial Robert Mueller sobre o caso russo, no qual pela primeira vez um membro da equipe eleitoral do presidente, o ex-assessor em Política Exterior George Papadopoulos, foi envolvido por seus vínculos com o Kremlin.

De Moscou, o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, insistiu nesta terça que as acusações dos Estados Unidos sobre a ingerência russa são feitas "sem uma só prova".

A questão tomou conta das manchetes nos Estados Unidos, embora Trump negue um conluio com a Rússia e tente impulsionar sua reforma fiscal.

- "Devemos melhorar" -Os depoimentos mostram que as operações de desinformação russas foram maiores do que haviam informado anteriormente.

O Twitter descobriu que quase 37.000 contas automatizadas com links russos geraram 1,4 milhão de tuítes que podiam ser vistos por 288 milhões de pessoas nos três meses anteriores às eleições de 8 de novembro de 2016.

O executivo do Twitter Sean Edgett reconheceu que embora tenha havido melhoras para identificar e suprimir atividade maliciosa automatizada e também gerada por humanos é preciso "evoluir" para prever novas táticas.

"Concordamos que devemos melhorar para prevenir", enfatizou.

O Facebook, por sua vez, assinalou que 126 milhões de usuários americanos puderam ver histórias, publicações, ou outro conteúdo de fontes russas.

"Governos estrangeiros como Rússia, no ciclo eleitoral de 2016, se envolveram profundamente na manipulação de populares páginas das redes sociais com desinformação para semear cizânia entre os americanos", disse em um comunicado o presidente da subcomissão Judicial, Lindsey Graham.

O senador considerou "a manipulação de redes sociais por parte de organizações terroristas e governos estrangeiros" como "um dos maiores desafios para a democracia americana".

"Internet não tem fronteiras" -Alguns legisladores não esconderam sua irritação com o alcance da intromissão, realizada em parte por "exércitos de troles" como a Internet Research Agency (IRA), com sede na Rússia. No vacabulário de internet, os "troles" são aqueles que publicam mensagens provocadoras on-line.

"O que é realmente assustador e difícil de compreender por completo é como aproveitaram as tecnologias modernas facilmente e de forma exitosa", disse a senadora Dianne Feinstein.

Os executivos foram intensamente questionados sobre como vão combater esse tipo de operação.

O diretor de segurança da informação da Google, Richard Salgado, disse que no ano que vem os usuários poderão saber a origem de cada anúncio político no YouTube para clicar em um ícone.

"Estamos comprometidos a fazer a nossa parte", disse.

As redes sociais enfrentam o desafio de manter suas plataformas abertas para evitar acusações de censura e parcialidade, e ao mesmo tempo de eliminar conteúdo manipulador russo.

As três empresas já começaram a tomar medidas depois que, no último ano, investigadores identificaram mensagens que buscavam que os americanos brancos se irritassem com os negros, ou que prejudicassem a imagem das feministas, entre outros que podem ter prejudicado Hillary Clinton.

Para Strech, de Facebook, a ameaça é global. Quando Graham perguntou que acreditava que países como Irã e Coreia do Norte poderiam lançar campanhas similares de desinformação, afirmou que isso é "certamente" possível.

"A Internet não tem fronteiras", disse.

pmh-ad/ja/cc

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