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Raqa tem seu primeiro casamento na era pós-Estado Islâmico

28/10/2017 16h26

Raqa, Síria, 28 Out 2017 (AFP) - Em uma casa de Raqa, mulheres maquiadas e seus acompanhantes dançam ao compasso de uma música folclórica para celebrar o casamento de Ahmad e Heba, algo inimaginável há alguns meses, quando a cidade se encontra sob o jugo do Estado Islâmico.

Segundo os moradores de Jazra, um bairro do subúrbio de Raqa, essa é a primeira união celebrada na cidade assolada desde a recente expulsão do grupo extremista Estado Islâmico (EI), que controlou-a durante três anos.

Homens e mulheres dançam de mãos dadas uma dabke, dança folclórica tradicional do Levante, típica de bodas e festas.

O EI tinha proibido a música, o canto, as festas e a coexistência de homens e mulheres em um mesmo recinto sem forte grau de parentesco.

A música se mescla com o ruído dos geradores do bairro. Os muros destruídos e as casas abandonadas expõem as consequências de quatro meses de combates e bombardeios.

- 'A alegria voltou' -Jazra foi um dos primeiros bairros libertados pela aliança árabe-curda apoiada pelos Estados Unidos. A família do noivo teve a sorte de poder voltar há um mês a essa cidade deserta.

"Estamos muito felizes. É o primeiro casamento desde que os extremistas se foram", comemora Othmane Ibrahim, pai de Ahmad, enquanto recebe os convidados.

"Antes do EI, tinha dabkes, músicas folclóricas da região nas nossas bodas, mas o EI proibiu todas. Não tinha nenhuma comemoração", lamenta à AFP o homem de cerca de 50 anos. "Hoje, a alegria voltou".

De vez em quando, um septuagenário entoa mawals, poemas cantados sem música, enquanto as mulheres lançam yuyus (gritos de alegria característicos do mundo árabe).

Os convidados se prepararam para a ocasião. As mulheres usam túnicas floridas e os lábios pintados. Elas deixaram para trás os niqabs pretos que lhes cobriam dos pés à cabeça durante três anos.

Os noivos estão sentados em cadeiras. Parecem nervosos. Ahmad, de 18 anos, usa uma túnica tradicional marrom, e ela um vestido de noiva branco e um véu decorado com flores.

Sua mão tatuada com henna acaricia um buquê de flores artificiais, enquanto mulheres fotografam o casal pelos celulares.

Perto deles, meninas maquiadas - com carmim na boca e as pálpebras pintadas com kajal - dançam ao ritmo da música. Nos braços, pulseiras de plástico muito coloridas.

Outras crianças dividem água ou levam cadeiras para os que estão chegando.

Todos sorriem. "Faz tempo que não vamos à festa", declara uma prima, Um Ahmad, de 25 anos, com os cabelos soltos.

- 'Vamos nos divertir' -Jalaf al Mohamad, outro primo do noivo, está encantado.

"Faz anos que não dançamos a dabke, volto a aproveitar a vida", comemora o homem de 27 anos que convida homens e mulheres à dança, rodando sobre a cabeça um rosário.

"Todos esperavam por este momento. Qual o sentido de um casamento quando tudo era preto?", grita, referindo-se à bandeira do EI e às abayas das mulheres.

"Hoje, é tudo branco", percebe, com um sorriso no rosto.

A cidade em ruínas está deserta devido, sobretudo, às minas deixadas pelo EI.

O casamento, apesar da ausência dos deslocados e da perda de familiares em combate, é um sinal da esperança.

"Raqa vai voltar a ser feliz", diz Jaldiya, tia do noivo, enquanto toca o derbake, instrumento de percussão árabe.

"Ninguém vai nos proibir de cantar e dançar", garante a mulher de 30 anos. "Vamos nos divertir como nos apetecer".

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