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Escândalo em Hollywood: 38 mulheres acusam James Toback de assédio

23/10/2017 20h07

Los Angeles, 23 Out 2017 (AFP) - O escândalo de abuso sexual que sacode Hollywood aumentou nesta segunda-feira (23), com o informe de que 38 mulheres acusaram o diretor de cinema americano James Toback de encontros sexuais não consentidos, ocorridos ao longo de várias décadas.

Motivadas pelas denúncias contra Harvey Weinstein, o outrora influente produtor de cinema, muitas vítimas decidiram revelar suas histórias, ignoradas há semanas pela indústria cinematográfica, incluindo recentes acusações de pedofilia.

A denúncia contra Toback é o resultado de uma longa investigação do jornal Los Angeles Times, na qual 31 das 38 atrizes declararam abertamente contra o diretor e roteirista de 72 anos, indicado ao Oscar por "Bugsy".

Segundo a publicação, Toback estava acostumado a "vagar pelas ruas de Manhattan em busca de meninas atraentes", a quem lhes oferecia uma carreira no mundo do cinema, aproveitando-se de suas conexões.

Mas nas reuniões, acordadas como entrevistas ou audições, levava a conversa para temas desagradavelmente pessoais, com perguntas que iam desde masturbação até pelos pubianos, que terminavam com o cineasta se masturbando e ejaculando diante de muitas delas.

"Me senti como uma prostituta, uma absoluta decepção para mim, meus pais, meus amigos", relatou a atriz Adrienne LaValley sobre um encontro em 2008 com o diretor, que tentou esfregar sua perna entre as dela, e que, ao sentir o toque, recuou. Depois, segundo contou ao jornal, Toback se levantou e ejaculou em sua calça.

"Ele me disse que nada lhe agradaria mais do que se masturbar enquanto olhava meus olhos", contou ao jornal Louise Post, hoje guitarrista e vocalista da banda de rock independente Veruca Salt, que conheceu Toback em 1987, quando frequentava a Barnard College.

Supostamente o diretor também pedia que as meninas ficassem nuas para testar a sua desenvoltura diante das câmeras.

Nenhuma delas denunciou os encontros à Polícia.

Toback negou as acusações, assegurando ao Times que nunca conheceu as mulheres e que, se isto ocorreu, "foi por cinco minutos e não se lembrava".

Seu agente ainda não respondeu às ligações da AFP para comentar o caso.

Toback é roteirista e diretor desde 1974. Seu filme mais recente, "The Private Life of a Modern Woman", que tem Sienna Miller como protagonista, estreou este ano no Festival de Veneza.

- "Protegendo pedófilos?" -A revelação do caso ocorre após o escândalo de Weinstein, acusado por mais de 40 mulheres de assédio, agressão sexual e estupro, e agora é investigado pelas polícias de Nova York, Londres e Los Angeles.

Ao mesmo tempo, denúncias de pedofilia também atingiram Hollywood.

O ator e músico Corey Feldman denunciou ter sido abusado sexualmente quando atuava ainda criança, assim como seu colega, Corey Haim, já falecido. Ele conta que ninguém os levou a sério.

Ele tuitou na quinta-feira que estava "contente de que as pessoas estejam falando" e "reza para que outros também revelem" os abusos sofridos.

"Estou trabalhando em um plano" para "conseguir justiça", indicou, assegurando que há "muitas testemunhas dos crimes" que denunciou e que não disseram nada.

Suas declarações foram reproduzidas por veículos da imprensa, enquanto o vencedor do Oscar Paul Haggis comentou ao The Guardian sobre o caso: "as pessoas também estavam protegendo pedófilos?"; Hollywood "não é um lugar inocente e nunca foi".

Na semana passada, o agente Tyler Grasham foi suspenso como parte de uma investigação interna por acusações de abuso sexual de jovens estrelas, enquanto a atriz Reese Witherspoon contou ter sido abusada por um diretor quando tinha 16 anos.

Outras duas mulheres acusaram o vencedor do Oscar Roman Polanski de tê-las agredido sexualmente no início dos anos 1970, quando tinham 10 e 15 anos.

Seu advogado, Hervé Temime, negou à AFP essas novas acusações.

"Os únicos feitos que podem incriminá-lo são os que concernem a Samantha Geimer, que admitiu [os fatos] ante o tribunal há 40 anos", disse sobre o crime pelo qual o diretor se declarou culpado nos Estados Unidos, mas fugiu pouco antes de proferida a sentença.

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