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Academia de cinema dos EUA expulsa Harvey Weinstein após escândalo sexual

O produtor e "poderoso chefão"de Hollywood Harvey Weinstein - VALERY HACHE/AFP
O produtor e "poderoso chefão"de Hollywood Harvey Weinstein Imagem: VALERY HACHE/AFP

Em Los Angeles (EUA)

14/10/2017 17h31

O produtor Harvey Weinstein foi expulso na tarde deste sábado (14) da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas pelo escândalo de assédio e abuso sexual no qual está envolvido, informou a organização em um comunicado. Seus membros incluem figuras importantes de Hollywood como Tom Hanks e Whoopi Goldberg.

A diretoria da Academia tomou a decisão depois de obter "muito mais de dois terços dos votos necessários para expulsão imediata". "Não só nos distanciamos de alguém que não merece o respeito de seus colegas como enviamos uma mensagem para que termine a era de ignorância deliberada e vergonhosa cumplicidade em conduta sexual depredadora em nossa indústria", diz a nota.

A Academia, que é encarregada de entregar o Oscar, tachou o conteúdo das denúncias de "repugnante, abominável e antiético" com seus padrões e "a comunidade de criadores que representa".

A expulsão significa que Weinstein não poderá mais votar por indicados e vencedores ao Oscar. Seus filmes já receberam mais de 300 indicações para o prêmio, conquistando 81 delas. O reconhecido produtor é o segundo membro da Academia a ser expulso.

O ator de "O Poderoso Chefão II", Carmine Caridi, foi o primeiro, acusado de empresar fitas VHD dos filmes que concorreriam ao Oscar para um vizinho comerciante de filmes pirateados.

A decisão da Academia de expulsar Weinstein neste sábado, contudo, não tirou dele o Oscar de 1999 como produtor de "Shakespeare Apaixonado".

Academia Britânica de Artes Cinematográficas e de Televisão (Bafta) já havia suspendido Harvey Weinstein na quarta-feira e neste sábado o sindicato dos produtores (PGA) se reuniu para "considerar procedimentos disciplinares".

Denúncias

Weinstein, de 65 anos, caiu em desgraça quando o jornal The New York Times publicou no dia 5 de outubro um explosivo artigo sobre os seus assédios, principalmente contra jovens atrizes e assistentes. 

Desde que o escândalo veio à tona, cerca de trinta atrizes, entre elas Mira Sorvino, Rosana Arquette, Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie e Léa Seydoux, disseram que foram vítimas das insinuações sexuais do produtor. E os relatos não param de se multiplicar.
 
Asia Argento, Lucia Evans, Rose McGowan e uma outra mulher que permanece sob anonimato o acusaram de estupro.
 
Neste sábado, a atriz britânica Lysette Anthony se tornou a quinta mulher a denunciá-lo por estupro.
 
A atriz de 54 anos disse que conheceu Weinstein em Nova York e que depois teve uma reunião com ele em seu apartamento de Londres. "Ele tentou me beijar e penetrar-me e ao fim eu simplesmente me rendi", disse a atriz sobre o fato que aconteceu na década de 1980.
 
Atrizes, modelos e funcionárias que passaram pelas produtoras Miramax e The Weinstein Company vêm denunciando casos de assédio sexual, incluindo estupro, atribuídos ao empresário.
 
Os relatos dão conta de um histórico de abusos ocorridos no decorrer das últimas três décadas, e que tinham como alvo mulheres jovens que almejavam uma carreira na indústria cinematográfica.
 
Entre os outros nomes, estão atrizes como Ashley Judd, Jessica Barth, Katherine Kendall, Rose McGowan, Florence Darel, Judith Godreche e Emma de Caunes, e outras que acabaram desistindo da profissão, como Dawn Denning e Tomi-Ann Roberts.
 

Mais consequências

"Preciso de ajuda, todos cometemos erros, espero ter uma segunda chance", disse Weinstein na quarta-feira a paparazzis em frente à casa de uma de suas filhas.

O público americano não pareca estar disposta a dar este voto de confiança. Uma pesquisa curso de Jeetendr Sehdev, um especialista em imagem de celebridades, revelou que 82% dos 2.000 entrevistados pediram a expulsão do produtor da Academia e 70% disseram que ficariam "chocados" se não o tirassem.

A  blogueira Sasha Stone, editora da Awards Daily, explicou à AFP que uma decisão deste tipo levanta dúvidas sobre outros membros.

"Bill Cosby, Mel Gibson ainda são membros", lembrou. Cosby será novamente julgado por abuso e Gibson foi denunciado por bater na ex-mulher.

Quantos casos sobre abuso sexual ou algo pior virão à tona nos próximos meses? Todos serão expulsos da Academia? É difícil saber", afirmou.

Seu estúdio The Weinstein Company (TWC) --que o produtor fundou e que dirigia com seu irmão-- não conseguiu ficar de fora do escândalo, apesar de ter o demitido.

Bob Weinstein disse ao THC que o estúdio sobreviverá à crise e seguirá em frente com outro nome.

Por enquanto o cineasta Oliver Stone disse que não fará uma série prevista sobre a prisão de Guantánamo se o TWC estiver envolvido. Stone indicou o estúdio Amazon, que cancelou um projeto para o diretor David O'Russell e excluiu o estúdio de uma série sobre os Romanov.

Harvey Weinstein levou aos cinemas filmes aclamados como "Chicago", "A Vida é Bela", "O Paciente Inglês", "O Artista", "O Discurso do Rei" e "A Dama de Ferro".

A polícia de Nova York e do Reino Unido abriram uma investigação contra ele.

*Com informações da BBC