Livros e HQs

Corto Maltese completa 50 anos com nova aventura na África

Divulgação
O personagem Corto Maltese, criação de Hugo Pratt Imagem: Divulgação

Madri

27/07/2017 14h17

Corto Maltese está de parabéns: com seus 50 anos recém-completados chega com uma nova aventura na África equatorial, pelas mãos dos autores espanhóis Juan Díaz Canales e Rubén Pellejero.

Passaram-se dois anos desde publicação de "Sob o Sol da Meia-noite", o álbum com o qual estes dois veteranos dos quadrinhos reviveram o aventureiro e capitão da Marinha Mercante criado pelo desenhista italiano Hugo Pratt em 1967, e agora conhecido no mundo inteiro.

O lançamento acabou com 20 anos de um hiato, causados pela morte de Pratt em 1995, e o sucesso editorial foi tanto que a vida de Corto se anuncia longa, já que além do número previsto em setembro ('Equatoria'), os editores prometem mais entregas depois.

A nova aventura de Corto se passa em 1911 e na maior parte na África central, antes de passar pelos portos de Veneza, Alexandria e Zanzibar.

O roteirista Juan Díaz Canales, conhecido pela série Blacksad, contou à AFP que teve que fazer um trabalho de pesquisa "complicado, porque a nível geográfico as fronteiras mudaram muito" desde então.

O álbum respeita muitos padrões usados por Pratt, como as páginas com quatro tiras, as gaivotas e as características do personagem, bronzeado por conta de suas aventuras nos mares, nas selvas e em paisagens congeladas.

Mas também conta com novidades. "O tratamento gráfico das mulheres, inúmeras em 'Equatoria', é muito próprio de Rubén Pellejero", criador com o argentino Jorge Zentner do antiherói Dieter Lumpen, influenciado por Corto. "E a forma de escrever os diálogos se aproxima mais com o feito em Blacksd", explica Díaz Canales.

"Quisemos juntar a fidelidade a uma estética e a nossa própria evolução", afirma Pellejero, que diz se sentir "entre duas águas", ou seja, entre o respeito à figura criada por Hugo Pratt e sua própria iniciativa como autor.

Em um plano mais técnico, Pellejero reconhece que "o rosto e a atitude [do personagem] são muito complicados de desenhar. E se você se afasta disso, fica um senhor com chapéu e costeletas que não é Corto Maltese".

À plasticidade do personagem ajuda, não obstante, ser um clássico "adaptável a qualquer época", reconhecido por valores como a liberdade e a solidariedade com as pessoas, além de um aspecto sedutor e uma ironia característica, aponta Díaz Canales.

Ao escolher o ano de 1911, os dois autores continuam explorando uma época que Hugo Pratt obviou em suas 12 obras, o período compreendido entre o fim da guerra russo-japonesa em 1905 e o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914.

"Sob o sol da meia-noite", ambientado em 1915, já adentrou essa época com uma aventura no Grande Norte americano e canadense. Lá, Corto Maltese, filho de uma cigana andaluz e de um marinheiro da Royal Navy, cruza, entre outros, com o escritor Jack London.

Um personagem renomado

Reprodução
Imagem: Reprodução

Este ano é o aniversário de 50 anos da publicação de "A Balada do Mar Salgado" na revista italiana Sergent Kirk.

Tanto a sociedade suíça Cong, proprietária dos direitos do autor, como a editora de Corto Maltese na Espanha, Norma, se mostram otimistas com esta 14ª aventura, após o sucesso de "Sob o Sol da Meia-noite", do qual foram lançados 220 mil exemplares.

E, segundo Luis Martínez, editor da Norma, "a nova etapa de Corto Maltese começou forte".

"'Sob o Sol da Meia-noite' agradou muito ao fã de sempre de Corto Maltese, e também graças a ele conseguimos novos leitores", afirma.

"Equatoria" sairá nas livrarias francesas em 27 de setembro, e dois dias mais tarde nas espanholas, a cores e em preto e branco.

No mesmo mês será publicada na Itália e a tiragem total entre os três países será de 200 mil exemplares.

Segundo Cong, nos últimos anos as histórias de Corto Maltese foram vendidas em torno de 100 mil cópias em todo o mundo. Em 2015, com a "ressurreição" do personagem, esse número triplicou.

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