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Laudo final sobre morte do poeta Pablo Neruda sairá em outubro

AFP/Getty Images
O poeta chileno Pablo Neruda Imagem: AFP/Getty Images

De Santiago (Chile)

04/07/2017 16h44

Um painel de peritos internacionais elaborará em outubro em Santiago do Chile um "relatório pericial integrado" baseado nas últimas análises realizadas nos restos do poeta chileno Pablo Neruda, cuja morte, em 1973, ainda é investigada pela justiça do país, informou nesta terça (4) a família do escritor.

Os restos de Neruda, morto em uma clínica de Santiago poucos dias depois do golpe de Estado, foram objeto, nos últimos cinco anos, de múltiplas perícias que buscam determinar se o Prêmio Nobel de Literatura de 1971 morreu devido a um câncer de próstata ou se foi assassinado pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

O painel reunirá em Santiago em meados de outubro especialistas do Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, Espanha e Chile e entregará suas conclusões ao juiz Mario Carroza, responsável pelo caso.

"Estamos chegando a uma etapa de fechamento do ponto de vista do painel genético, de genética forense. Se o ministro (juiz) achar que isso, somado ao resto das evidências, compõe uma evidência sustentável para encerrar o caso, assim será", disse Gloria Ramírez, uma das peritas forenses, em uma coletiva de imprensa com correspondentes estrangeiros.

A versão do assassinato de Neruda ganhou força em 2011, quando foram reveladas declarações de seu motorista e assistente pessoal Manuel Araya, que afirmou que o estado de saúde do poeta piorou depois que lhe deram uma injeção no abdome. A denúncia abriu uma investigação que levou Carroza a ordenar, em abril de 2013, a exumação do corpo de Neruda.

"Para mim não há dúvidas de que houve intervenção de terceiros (em sua morte), porque o processo mostra isso", disse Rodolfo Reyes Muñoz, advogado e sobrinho do poeta.

As primeiras perícias, em novembro de 2013, concluíram que devido à passagem dos anos não era possível estabelecer a presença de qualquer veneno em seu corpo. No entanto, o magistrado decidiu seguir em frente e ampliar as peritagens.

Em uma nova exumação, foi encontrado um "estafilococo dourado" (Staphylococcus aureus) nos restos do escritor, uma bactéria altamente infecciosa que pode ser letal. Mas ainda não há provas contundentes de que esta tenha sido a causa da sua morte, em 23 de setembro de 1973.

A versão do assassinato é respaldada, além disso, por testemunhas que afirmam que Neruda estava bem antes de receber a injeção na clínica. Um avião oferecido pelo governo mexicano o esperava para levá-lo ao país, dando início à oposição ao regime de Pinochet, que deixou mais de 3.200 mortos.

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