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O milionário Maezawa, novo mecenas japonês da arte contemporânea

10/06/2017 14h50

Tóquio, 10 Jun 2017 (AFP) - Com o anúncio pelo Instagram da compra de um quadro de Jean-Michel Basquiat por 110,5 milhões de dólares, o milionário japonês Yusaku Maezawa se tornou um mecenas do século XXI.

Este fundador de várias empresas de comércio eletrônico lembra aqueles japoneses que, na época da bolha imobiliária dos anos de 1980, adquiriram obras impressionistas por quantias astronômicas.

Ele garante ser "mero colecionador", que segue a sua intuição sem assessorar-se com especialistas do mercado de arte. "Só compro o que eu acho bonito. Isso é tudo. Gosto das grandes obras e da história que elas contêm, mas tê-las não é um fim em si mesmo", declarou em uma entrevista concedida por e-mail à AFP.

Em vez de ficar em casa com a obra sem título (1,83 metros por 1,73 metros) do pintor nova-iorquino morto de overdose em 1988, aos 27 anos, pretende em emprestá-la a galerias do mundo todo.

"Espero que dê tanta alegria aos demais como a mim, e que essa obra-prima do jovem Basquiat, então com 21 anos, inspire as gerações futuras. Quero emprestar a instituições e exposições do mundo essa obra que o público não vê há mais de 30 anos", afirma.

- Nascimento de um museu -Este empresário de 41 anos, que na juventude sonhava em ser roqueiro, é proprietário de quadros de Pablo Picasso, Roy Lichtenstein, Andy Warhol, Alexander Calder e Jeff Koons, assim como de um outro de Basquiat.

Ele criou uma fundação destinada a apoiar a sensibilização do público. Agora pretende fundar um museu de arte contemporânea na sua cidade de Chiba, no leste de Tóquio.

Suas motivações não são fáceis de decifrar. No passado, outras personalidades japonesas do mercado de arte compravam por puro investimento, como símbolo de sucesso social, ou até mesmo por arrogância.

O magnata Ryoei Saito comprou o "Retrato do Doutor Gachet" de Vincent Van Gogh por 82,5 milhões de dólares em Nova York em 1990 e o "Baile no moulin de la Galette" de Auguste Renoir por 78,1 milhões. Recebeu uma enxurrada de críticas depois de anunciar que seus quadros seriam colocados em seu caixão e incinerados com seu corpo. Mais tarde se desculpou. Ele morreu em 1996, e as obras sobreviveram.

"Muitos japoneses se precipitaram para investir na pintura durante a bolha econômica", lembra Shinji Hasada, da casa de leilões Shinwa Art Auction. Os dados da alfândega mostram importações de obras de arte estimadas em 246 milhões de dólares em 1985, um valor que subiu para 3,4 bilhões em 1990. Agora o mercado de arte no Japão não é nem a sombra do que já foi, diz Hasada.

- Influência para jovens artistas -Outros apaixonados promoveram o mundo da arte no Japão. Como Soichiro Fukutake, que quando presidiu o fornecedor de serviços educativos Benesse transformou a pequena ilha de Naoshima em um reduto de arte com a cumplicidade de seu amigo arquiteto Tadao Ando.

Duas décadas mais tarde, Hasada considera Yusaku Maezawa como o novo protetor das artes. "Todas os períodos da História houve um mecenas e ele é o que esperávamos", afirma.

"Para os jovens como eu,"ele é um colecionador de um tipo praticamente nunca visto no Japão pela forma como revela e influencia os jovens artistas", declara à AFP Yukimasa Ida, de 27 anos.

si-uh/kap/ak/erl/pa/cc
 

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