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Sons e dejetos na Bienal de Arte de Veneza

11/05/2017 17h20

Veneza, 11 Mai 2017 (AFP) - Enquanto a França apresenta na Bienal de Arte de Veneza, que começará no sábado, sua original proposta multidisciplinar de escultura musical de Xavier Veilhan, renomados artistas como o dinamarquês Olafur Eliasson e o americano Mark Bradford reivindicam suas preocupações sociais.

A França convida uma série de músicos a fazerem parte da sugestiva escultura, intitulada "Estúdio Veneza", que será adaptada em junho de 2018 para o centro Kirchner de Buenos Aires e para o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia de Lisboa.

Os curadores Lionel Bovier e Christian Marclay (este último vencedor em 2011 do Leão de Ouro de melhor artista por seu fantástico The Clock), transformaram o pavilhão francês em um estúdio de gravação no qual haverá espaço para todo tipo de música.

Os compositores poderão tocar e gravar dentro do amplo espaço de madeira que transmite suas criações artísticas com qualidade impecável, enquanto o público é testemunha deste ato criativo íntimo.

"É como entrar no ventre da música, como estar no interior de um instrumento. Um estúdio de gravação é um dos últimos instrumentos que foram inventados, é mais um instrumento da música, que permite modificá-la e amplificá-la, o que não se podia fazer no passado", afirma Veilhan à AFP.

Enquanto ele fala, pode-se ouvir as notas refinadas de Tommaso Cappellato na bateria, o que gera um silêncio respeitoso entre os primeiros visitantes do grande evento internacional de arte, antes de sua abertura no sábado, entre eles jornalistas, galeristas e diretores de museus.

Um piano, uma bateria com pratos muito particulares e um teclado são alguns dos instrumentos alojados dentro da escultura construída com ripas grandes e claras como as que se usam em auditórios.

Pela escultura, que ocupa todo o pavilhão construído em 1912 pelo engenheiro veneziano Faust Finzi, desfilarão durante os seis meses de duração da bienal uma centena de músicos, cujo trabalho poderá ser apreciado pela internet.

"Foi um trabalho coletivo. Apesar do conceito original ter nascido de uma ideia minha, todos tentam desenvolvê-la da forma mais fiel possível à ideia original", diz o artista, que conta com especialistas em som e propõe também uma experiência sensual, "que não separe o físico e o cerebral", explica.

Músicos de diferentes formações aderiram às sessões de música, entre eles a compositora contemporânea Eliane Radigue, o cantor Sébastien Tellier e o pianista Alain Planès.

- Problemas sociais, preocupação do artista -O pavilhão francês, na zona de Jardins, a poucos passos do britânico e do alemão, não é o único a apresentar uma exposição pouco clássica.

A Áustria impacta com a obra de Erwin Wurm: um caminhão de oito rodas em pé, mais uma escultura que presta homenagem à técnica, ao automóvel e à modernidade.

A Rússia surpreende com sua metáfora da nova ordem mundial, com esculturas futuristas sombrias para narrar com bonecos e manequins de gesso mecanizados "a mudança de cenário" que o mundo atravessa com o temido poder das máquinas.

A artista Grisha Bruskin representa com essa figuras híbridas brancas a realidade humana nos tempos modernos.

Após o primeiro dia de abertura à imprensa, o pavilhão alemão assombra com as 'performances' da jovem Anne Imhof, nas que enfrenta o observador, que caminha sobre estrados transparentes, com os observados, esmagados sob o vidro e vigiados por cães de guarda da raça dobermann.

O pavilhão dos Estados Unidos aposta neste ano no artista afro-americano Mark Bradford, cujas colagens gigantes realizadas com resíduos e material descartável são "uma mensagem política" ao seu presidente, para que ele não se esqueça das camadas mais excluídas da sociedade, diz o artista à AFP.

"Não quis vir a Veneza e me limitar a expor minhas obras", conta Bradford, que colabora há mais de um ano em um projeto social com presos em Veneza, contribuindo com a abertura de uma loja para vender objetos e artesanatos que eles produzem, como parte do programa de reinserção social.

A questão social também é uma preocupação do artista Eliasson, que instalou no pavilhão central do setor Jardins uma oficina de trabalho onde um grupo de 20 solicitantes de asilo e voluntários do projeto Green Light fabricam lâmpadas de luz verde desenhadas por ele, que são vendidas para arrecadar fundos para a organização humanitária médica italiana Emergency.

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